quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Capitulo 13: Coisas Naturais!

Notas Iniciais: Hiiiiiiiiiiiiiii após muito tempo finalmente consegui terminar esse capítulo! Estou muito orgulhoso dele, ele tem sido a síntese do que trabalhei nesses últimos capítulos e marca um novo começo para esses personagens em coisas naturais, agradeço a todos que chegaram até aqui.

Capítulo 13: Coisas Naturais!

Os passos de Audino ficaram mais rápidos ao chegarem ao portão de entrada da rota 110. Wally e Isabel faziam o possível para segui-la, mas era difícil, as faíscas se amontoavam e estalavam ao seu redor e ambos temiam ser atingidos.


“Audino! O que aconteceu? Você precisa parar!” Abrindo a boca em um grito desesperado, Wally chamou por ela, mas não obteve resposta.

“Audino, me escute! Não sei o que houve com você, mas estamos aqui! Por favor, pare!” Isabel elevou a voz arfando em seguida devido a corrida. Olhava diretamente para a pokemon, mas a intensidade da luz das faíscas a faziam lacrimejar.

Mãe e filho agora contemplavam a estrutura, que misturava metal e concreto para erguer a ciclovia de Hoenn sob o mar. A construção era enorme e se estendia por toda a rota conectando Slateport e Mauville. Só era permitido o acesso a pista para aqueles que tivessem uma bicicleta, em decorrência dos acidentes.

Audino seguiu até o limite da borda do terreno gramado, ficando bem em frente à entrada da ciclovia. Alguns ciclistas que realizam o registro no guichê local a observavam confusos, parando o que estavam fazendo. Faíscas elétricas se desprenderam dela e foram em direção a água abrindo um caminho para a pokemon normal passar.

As pessoas impressionadas com a cena, ficaram paralisadas. Com até mesmo os funcionários sem saber o que fazer diante daquela situação.

“Pichu Pichu!” Encantado com a água, o pequeno roedor sorriu ao finalmente encontrar o que procurava.

Ele mirou-se no espelho líquido refletido abaixo de si. Ao ver sua cauda e sua bochecha sorriu para si mesmo, sentia que o movimento das águas o chamava. Enquanto olhava para elas, de alguma maneira, parecia compreender mais de si. A eletricidade que pulsava nas suas bochechas tinha um padrão semelhante ao movimento de ondulação daquelas águas e ele não sabia explicar como.

Ergueu a cabeça novamente e viu o menino que seguira o dia todo. Ele e a mulher ao seu lado pararam por alguns segundos, e então, decidiram continuar atrás do que estavam perseguindo. Aproveitando o rastro que Audino abriu antes que esse se fechasse. Pichu sentiu que devia algo a ele e decidiu acompanha-lo.

“Não acredito que estamos nos jogando no meio d’água desse jeito!” Indignada, ela franziu o cenho enquanto continuava a correr.

“AUDINO!” Wally gritou enquanto corria atrás dela. Não sabia até quando aquele caminho duraria e correr daquela forma exigia muito do seu pulmão. Precisando reunir fôlego constante a cada passada.

“Wally não vá se esforçar demais, cuidado” A mulher pediu preocupada.

“Espero não morrer afogada no meio disso tudo!” Desejou Isabel, ela nunca viveu uma situação parecida com essa. O que a deixava aflita, mas escolheu continuar seguindo para acompanhar o filho e descobrir o que estava acontecendo com Audino.

“Aonde você está indo?!” Gritou o menino já perdendo a paciência. Havia esperado por dias ela acordar desde que chegaram na cidade. Agora isso acontecia? Ele não queria deixar mais nada estragar seu momento.

Audino continuava sem hesitar, a eletricidade abria caminho por debaixo da ciclovia, afastando massas de água ao seu entorno. Ciclistas pedalavam na pista acima e não notavam o que acontecia. Wally e Isabel então enxergaram uma porção de terra oculta pela construção na parte da pista que atravessava o mar. Uma árvore e algumas gramas guardavam o que parecia ser a entrada de um galpão.

A pokemon pisou em terra firme e seguiu reto. As gramas eram eletrificadas conforme sua perna tocava o solo, como se a energia que a envolvesse estivesse acima de qualquer coisa ao seu caminho. A porta do galpão era massiça, revestida por uma estrutura metálica necessitando de um reconhecimento facial para abrir.

“Ela parou? Será que conseguimos alcança-la?” Perguntou Isabel.

Reunindo ar, Wally esticou os braços e apoiou as mãos no chão, fazendo força com os ombros ele se projetou para a frente subindo para a porção de terra. Virando o pescoço para a esquerda, acompanhou Audino erguer sua mão e uma faísca elétrica brilhar e disparar contra o portão.

A eletricidade estalou conforme percorria todo o portão. As fagulhas faziam o aço se contorcer, o portão dobrava como uma folha de papel conforme a energia elétrica percorria toda a parede. Os estalos faziam o metal ranger e o barulho irritava os ouvidos. Luzes verdes piscavam de modo frequente, conforme o dispositivo de acesso sobrecarregava, até uma explosão ocorrer seguindo de partes do portão picotadas caindo sobre o chão. Ela agora iniciava uma invasão ao que quer que estivesse ali dentro.

“O que é isso?”

“O que esta acontecendo ali embaixo?”

“Precisamos chamar a policia!”.

“Isso já esta indo longe demais! Precisamos pará-la ou não sei nem o que vamos fazer” Impaciente, ele se levantou indo em direção a pokemon.

“Wally, espere, vamos pensar com calma! Nós também vamos estar invadindo uma propriedade!” A mulher chamou por ele, mas era em vão. Assim que ambos passaram pelo andar se depararam com uma sala praticamente vazia.

Algumas cadeiras metálicas que não eram limpas a tempos estavam ali, de resto o local era composto por paredes de contenção, deixando escapar apenas alguns furos para ventilação. Havia uma grande uma escada no centro que levava a um cômodo, ainda desconhecido por eles. Seus degraus estavam chamuscados, o que indicava que Audino já estava descendo.

“Magne Magne!”

“VOLTORB!”

Grunidos de pokemons seguidos de um brilho amarelado fez com que mãe e filho se voltassem para o alto. Ambos constataram um grupo de Magnemites e Voltorbs que viviam ali, incomodados por terem sido cordados pela explosão.

Com os olhos cerrados de indignação, os pokemons metálicos giraram os imãs de seu corpo agitando os polos. Os campos eletromagnéticos gerados pelo movimento incitaram faíscas que logo estouraram em raios serpenteantes.

Enquanto os pokemons mímicos de pokebolas também fecharam a cara ao olhar para os dois humanos, a partir da irritação, produziram uma carga e dispararam feixes elétricos na direção dos oponentes que não teriam como se defender.

“PICHU!” Saltando para a frente, Pichu foi de encontro aos ataques. Ele conseguia ver a forma como a eletricidade se comportava dentro daqueles golpes e ressoava com sua bochecha.

Era um padrão familiar para o rato elétrico. Ele abriu os braços enquanto os raios eram naturalmente atraídos para si contornando sua silhueta. Os brilhos faiscavam ao seu redor, conforme ele sorria e suas bochechas acendiam naturalmente absorvendo o poder da eletricidade.

“Que lindo...V-Você salvou a gente?!” Wally perguntou ainda entorpecido pela situação.

“Pichu, Pi!” Ele respondeu como se fosse óbvio.

“Ainda bem, mas sinto que teremos que lutar antes de poder fazer qualquer coisa!” Lembrou a florista que acompanhava com o olhar os Magnemites se dividindo e tomando posições acima deles. Os voltorbs também caiam do teto para o chão, formando uma barreira entre a terreno onde os três estavam e a escada.

Na consciência de Audino havia apenas luz, luz e um zumbido.

Um único zumbido que desafiava o pulsar dos fios elétricos que se mantinham acima de qualquer outra coisa.

O zumbido continuava, intenso, mas não forte o suficiente. Tentava se elevar, mas a eletricidade irrompia e crescia selvagem, não havia espaço para nada mais e aquela dimensão onde antes habitava a pokemon normal, agora estava iluminada. O zumbido continuava chamando, pedindo por atenção, mas sem recebe-la.

“AUDINO!” A voz de Jirachi desafiava a dimensão interior dominada pela eletricidade, até mesmo o grito era abafado pelos estalares elétricos constantes.

“Você precisa lembrar! Wally e Isabel estão aqui por você! Escute-os! Eles também chamam por você!” Jirachi continuou chamando decidindo apostar em sua conexão com eles, mas sem sucesso. As memórias não eram o suficiente para traze-la de volta, ela não confiava mais nelas o suficiente.

“VÁ EMBORA!” As palavras se formaram do choque das ondas elétricas. Reverberaram como um sistema ligando suas luzes e faiscando.

“Deixe-a! Você não tem o direito de fazer isso!” A voz da pokemon ganhou mais corpo, o zumbido tornou-se uma centelha de luz, cintilando num tom diferente em meio a toda aquela eletricidade.


“Que irônico...você está tão fraca...presa pelo seu próprio fluxo” A eletricidade estalava ainda mais e os choques dos fios eram cada vez mais frequentes como se formassem uma ligação.

“Não sou um dos seus peões, eu estou acima disso! Hoenn entenderá!” A ligação agora assumia o formato de 7 olhos vermelhos. Em meio a imensidão dourada, ambos acenderam ao mesmo tempo voltando sua luz para a centelha.

Jirachi sentia sua influência enfraquecer, ela não tinha muito tempo, precisava fazer alguma coisa.

“Audino, lembre-se de si mesma! A eletricidade confunde união com consumo, eletrizar como se fosse um. Ilumina tudo ao ponto de paralisar, mas não precisa ser assim! Você é parte de um todo, é você mesma e é parte do fluxo” A voz de Jirachi chamou pela pokemon. A centelha cintilou uma única vez. Sua luz rivalizou com os raios vermelhos vindos dos orbes semelhantes a olhos.

A luz seguiu buscando acordar a consciência de Audino dentro daquela dimensão cada vez mais fechada e eletrizada. As veias elétricas que surgiram nas bordas daquele universo mental enraizavam sugando a energia dentro dele. Os caules eram brilhantes e translúcidos, permitindo ver as esferas de aura no momento em que eram extraídas, elas brilhavam em um tom azul.

Conforme percorria os canais enraizados composto por divisões elétricas semelhante a uma rede de fios, a fonte de poder, ganhava novos contornos e faíscas surgiam mudando sua natureza. Transformando-se em uma carga de eletricidade conduzida por entre os filamentos emaranhados até os olhos vermelhos. A energia os rodeava e estabilizava ganhando uma forma circular se moldando aos 7 globos oculares que pareciam ansiar por um corpo. 

 


A luz dourada do entardecer enfraquecia sobre as águas do mar, a mistura do azul das águas diluía o dourado que se recolhia na linha do horizonte. Um barco deslizava sob as águas da rota 124 de Hoenn saindo de Mossdeep rumo a Lilycove City. O ferry nas cores vermelhas e azuis, possuía uma área comum e dois andares onde os passageiros se acomodavam.


 

Liza estava apoiada contra o parapeito que estabelecia o limite do segundo andar do barco, estava de costas para a multidão e deixava os braços caírem em direção ao mar. Apesar do vento frio, o macacão azul de mangas compridas a mantinha aquecida. Tinha o queixo posicionado no ombro esquerdo e olhava sem muita atenção o movimento da embarcação através do mar, sem se importar com o chacoalhar constante do veículo.

A maioria dos passageiros confraternizava nos andares abaixo e até os que estavam com ela comentavam a vista.

“Olha ali a Shoal Cave! É lá de onde extraem as ice stones, sabia?!” Uma moça chamou a atenção da filha apontado para a direita.

“Será que aparece um Spheal?!” A garotinha perguntou ficando na ponta dos pés na esperança de encontrar um dos pokemons.

“Infelizmente não filha, dizem que eles vivem no fundo da caverna onde por alguma razão o mar acaba congelado” A mãe explicou.

“Quando eu for uma treinadora vou chegar até o fundo da caverna!” Determinada, ela ergueu o punho.

“É claro que vai, agora vem, vamos comer alguma coisa senhora treinadora” A mulher sorriu abaixando e a tomando nos braços indo em direção ao andar de baixo.

Um zumbido de fora para dentro preencheu o ouvido de Liza. A garota levou a mão esquerda a orelha, erguendo os ombros e ficando ereta. O zumbido foi cessando aos poucos conforme se distanciavam da caverna. Voltando-se para frente, podia enxergar Lilycove ganhando mais contorno e se tornando mais reconhecível, podendo até mesmo ver a silhueta do farol.

Suspirando, ela se lembrou da última classificação dos ginásios quando havia estragado tudo e por sua causa o ginásio de Mossdeep não se tornou um ginásio de tier 8. Levando a mão ao bolso e remexendo entre as esferas retirou uma pokebola que permanecia trancada.

“Eu queria ser capaz de corresponder as suas expectativas, queria ser capaz de ser como ela. Nas poucas batalhas que assisti da mamãe vocês estavam sempre em sintonia, não sei como ser assim ” As palavras saiam como confissões que se perdiam ao vento enquanto lentamente ela levava a pokebola ao peito.

Olhando para o céu, Liza enxergava as nuvens se reorganizando nos padrões que sua memória assumia. O teto do ginásio com as luzes acesos quando enquanto sua mãe lutava ao lado do seu pai. O cabelo dela tinha o mesmo tom do seu e esvoaçava sobre os ombros, ela sempre os soltava para a batalha.

Liza lembrava de estar na arquibancada com Tate, apoiava os braços sob o parapeito faltando se erguer neles para enxergar mais de perto. O campo ainda não havia sido reformado e o local era decorado com fontes de luzes roxas que davam um tom místico ao local.

Sua mãe se mantinha de forma delicada, com um vestido prateado de tecido fino que caia pelo corpo a deixando com uma aparência leve. Por outro lado, seu pai mantinha o jaleco e o cabelo bem aparado, uma postura rígida. Ambos contrastavam e pareciam complementar o outro.

A desafiante utilizava um Flygon e um Pelipper, investindo numa estratégia aérea para acompanhar o movimento de Solrock e Lunatone. O campo abaixo era de um terreno arenoso semelhante ao da praia, mas a areia cintilava em tons de purpura.

Reproduzindo o gesto de sua memória, agora no barco, Liza estendeu as mãos recordando do pelicano trazendo a chuva por todo o ginásio e as gotículas dançavam entre os seus dedos. O vento frio que se instaurou era semelhante ao que incidia sob a embarcação. Seus dedos sentiam as gotículas caindo pouco a pouco e sua visão acompanhava a areia do campo se molhar e transformar-se em lama.

“Flygon Dig!” A desafiante comandou erguendo a mão aberta, possuía um olhar afiado e o cabelo curto na altura do ombro num tom escuro.

O dragão rugiu e com um rasante, girou em torno do próprio eixo e mergulhou na lama. Ele se movia pelo campo e a terra molhada remexia como se borbulhasse.

“Acho que estou entendendo o que ela quer” Brandy comentou com sua esposa.

“Ela quer levar Lunatone e Solrock para o chão, não vão conseguir se levantar dessa areia, é uma bela combinação” Layla elogiou elevando a voz ao final.

“Exato, e vamos vencer, Pelipper traga-os ao chão com HURRICANE!” Gritou a desafiante.

“Não seja tão precipatada, ainda não perdemos essa batalha, querido, por favor!” Sua mãe sorriu inclinando o corpo para o comando.

“Estou logo atrás de você!” Ele respondeu.

“MOONBLAST!” Ela ergueu o braço esquerdo e o vestido esvoaçou com o gesto como se tudo fosse calculado.

“Libere SolarBeam!” Brandy pediu.


Lunatone flutuou em torno da mulher que o cumprimentou. Elevando-se acima do solo, a pokemon pedra lunar reuniu sua energia psíquica que transcendeu sendo enriquecida com o poder da lua. Uma esfera de poder comprimido surgiu a sua frente e com um giro, o pokemon lua atirou o movimento com grande potência.

O poder distorcia o ar ao redor do movimento o dando uma grande pressão, Solrock dançou ao redor de Lunatone antes de atirar um raio de luz solar. O feixe brilhou em meio a chuva e forneceu sua luz aumentando o poder do Moonblast que tornou-se mais forte.

Pelipper controlou os ventos entre suas asas e as bateu rápido moldando um vórtice na direção dos dois. Flygon ainda nadava na lama contornando o movimento pronto para o abate, porém, assim que o tornado se chocou com a combinação dos líderes tudo mudou.

Foram poucos instantes de disputa, quando os ventos falharam e foram superados. O poder lunar destruiu a combinação numa grande explosão que espalhou correntes de ar por todo o campo, elas desceram em direção a lama e forçaram Flygon a sair do solo. O atirando na direção de Pelipper.

Liza brilhou os olhos quando Lunatone dançava com Solrock preparando seus movimentos finais. Sua mãe sorria durante a batalha e a pokemon a correspondia, era perfeito, uma sintonia que ela queria ser capaz de replicar, ser capaz de ter e de sentir.

“Você se mantem parada em suas próprias convicções”.

As palavras a fizeram voltar a realidade. O momento em que havia sido elogiada durante sua última ação no mercado voltou aos seus pensamentos. Junto com algo que mudou dentro de si. Era diferente das últimas vezes em que gritou, esperneou e ficou irritada em seu quarto dentro de sua própria mente.

Baixou a cabeça fitando o objeto em suas mãos. Olhar para a pokebola trancada a fizera pensar, ao que estava se agarrando neste momento? Que convicções ainda estavam mantendo-a parada? quais os limites da verdade das suas memórias e das ações que praticava agora no presente?

No entanto, a derrota no passado era um fato provocado por ela, não apenas uma memória, o que fazia o julgamento que tinha sobre si mesma pesar ainda mais.

“Estou nervosa, não sei como serão as coisas, mas quero fazer com que sejam diferentes da última vez” Concluiu a garota, num movimento sutil, enquanto falava aproximou um pouco mais a pokebola do peito.

Tate encontrou a irmã ao terminar de subir os degraus da escada que dava acesso ao andar do barco, iria brigar por ela ter fugido novamente e o obrigar a procura-la com o barco chacoalhando daquele jeito, mas a viu segurando a pokebola de Lunatone.

De longe viu o brilho vermelho que indicava o travamento do objeto oscilar por um instante, então, decidiu voltar ao primeiro andar e não incomodá-la.

 



“Ponyta e Oddish, por favor, preciso que me ajudem!” Wally sacou as pokebolas do bolso exibindo as duas capsulas que se abriram em feixes de luzes.

“Roselia e Shroomish, adiante!” Isabel também ergueu suas esferas libertando seus pokemons que se juntaram para confrontar o grupo.

Alguns Magnemites giravam seus imãs, os metais uniram faíscas elétricas entre os seus polos e dispararam feixes serpenteantes na direção dos oponentes. Em seguida, os outros metálicos atiravam esferas de pura eletricidade na direção dos pokemons.

“PiiiiCHU!” Saltando para a frente, Pichu abriu os bracinhos conforme suas bochechas acendiam e o poder elétrico fluía para si. Ao finalizar a absorção sentia-se sobrecarregado, um simples mover dos seus bracinhos deixava estalos para trás.

“Obrigado, Pichu, mas não pode absorver isso para sempre! Vamos focar nossos movimentos nos Magnemites! Oddish agrupe-os com Sweet Scent e Ponyta prepare Confusion, Pichu se você puder descarregue sua eletricidade!” Wally gritou erguendo a mão.

Oddish ainda incomodada com a nota que recebeu no contest, resolveu deixar seus sentimentos de lado apenas por um momento. Pisando firme sob o solo ela chacoalhou as folhas iniciando um rodopio conforme exalava um pó em espiral, o pó chegava aos pokemons imãs e os encantava com o cheiro. O movimento conseguiu atrair metade deles para próximo da parede.

Ponyta sentia uma forte presença naquele local. O que quer que fosse era quase esmagador e produzia uma pressão como se seus sentimentos estalassem em cores que bagunçavam seu senso. A unicórnio tentou se firmar em suas pernas, mas sua concentração era constantemente perturbada.

Tentava fazer seu chifre brilhar, mas não conseguia resultados, a energia psíquica estava bloqueada devido aos sentimentos que a paralisavam dentro da zona emocional do seu chifre. A raiva dos magnemites e do voltorb por estarem sendo incomodados também a pressionavam.

“Ponyta o que aconteceu?! Mãe me ajude, por favor!” Pediu o garoto voltando-se para a mulher ao seu lado.

Vendo uma abertura, o grupo de Voltorbs percebeu a psíquica vulnerável e logo cerraram os olhos começando a vibrar em meio ao ar. Da vibração de suas energias surgiram ondas sônicas em formato de V e as dispararam em sequência contra a unicórnio, que não teria como desviar.

“PICHU!” Pichu saltou e suas bochechas faiscaram em um tom amarelo que surpreendeu até a si mesmo. Ignorando o ocorrido ele deu cambalhotas enquanto era energizado pela eletricidade, apontando em direção ao feixe soltou um raio brilhante que iluminou toda a sala.

Colidindo com as ondas sônicas e disputando poder. Pichu manteve o movimento descarregando mais da energia que absorveu, a colisão da eletricidade com a onda sônica gerava faíscas alaranjadas que voavam para todos os lados. O que resultou em uma explosão criando uma nuvem de fumaça deixando os pokemons oponentes aturdidos.

“Roselia Petal Blizzard contra aqueles Magnemites e Shroomish dê cobertura com Seed Bomb!” Virando o queixo em direção ao filho, a florista comandou ambos os parceiros.

Cruzando os braços Roselia fechou os olhos enquanto a energia natural exalava de seu corpo, desfazendo a pose, ela ergueu os botões levantando junto deles um comboio de flores embaladas em uma espiral de um vento gélido.

Capturando os magnemites envolvidos pelo aroma de Oddish, estes giravam sendo atingidos pelas pétalas que traziam danos e desconcentravam o magnetismo dos polos. Shroomish fechou a cara, e concentrou seu poder pelo corpo.

A abertura em sua cabeça cintilou conforme ele disparava sementes como misseis, estas com um rastro esverdeado percorriam o ar e estouravam os Magnemites que sofriam ainda mais danos.

“Ponyta! Por favor, me escute, estou aqui com você, não precisa se preocupar com o resto, lutaremos juntos!” Flexionando os braço e respirando fundo, o garoto de cabelos esverdeados chamou por ela usando todo seu fôlego.

Em meio aos sentimentos elétricos, a pokemon ouviu a voz do garoto e os sentimentos dele ecoaram em sua zona. Entre as emoções faiscantes o brilho esverdeado característico de Wally se destacou e ela conseguia senti-lo neutralizando a confusão em seus poderes. Fechando os olhos elevou o chifre e permitiu que as emoções do garoto se entrelaçassem com ela, quando os abriu novamente seu poder brilhava em uma esfera roxa.

“É isso ai! Vamos acabar com isso usando Confusion!” Gritou Wally erguendo a mão.

Relinchando, ela fixou-se nas quatro patas e disparou um raio arroxeado que serpenteou no ar acertando a combinação de Isabel. Atingindo todos os Magnemites que caíram sob o chão inconscientes.

“Falta só os Voltorbs, o-o que é isso?” Isabel gritou apontando para as esferas.

Estas irritadas começavam a liberar ainda mais eletricidade em cadeia, sua raiva inflava seus poderes e as faíscas elétricas começavam a entrar em curto.

“Vão explodir! O que vamos fazer?!” Desesperado, ele arregalou os olhos ao gritar.

“PiCHU!” Cerrando os olhos, Pichu saltou em direção aos Voltorbs. Com um giro, ele fez um bico com a boca e levou a mão enquanto mandava um beijo para os pokemons criando um coração avermelhado.

Este foi em direção aos Voltorbs e ao atingi-los os deixou confusos, sem conseguir focar sua raiva da forma correta e dessa forma não conseguiam finalizar o movimento.

“Você é incrível, Pichu” Elogiou o garoto.

“Pichu Pi!” Envergonhado o pokemon baixou as orelhas diante do elogio.

“Mas não podemos perder tempo, vamos finalizar, Ponyta use Confusion e mantenha todos no ar, Oddish Mega Drain!” Wally pediu focando seu olhar nos pokemons acima enquanto abria o braço num movimento de arco.

“Roselia Petal Blizzard e Shroomish Seed Bomb!” Isabel comandou em seguida, sentia-se orgulhosa por estar participando daquele momento.

Ponyta fez seu chifre faiscar, baixando a cabeça e a elevando em seguida envolveu as esferas com seu poder e manteve todos os voltorbs no ar. Oddish saltou exibindo suas folhas, estas iluminaram-se num tom verde fluorescente, em seguida, a pokemon disparou uma sequência de filamentos esverdeados que acertaram os Voltorbs drenando sua energia e a fazendo brilhar no processo, conforme se curava.

Roselia ergueu seus botões e ao aponta-los ao ar liberou um comboio de pétalas que em seguida foram envolvidas por uma forte nevascas. O movimento disparou em direção aos oponentes acertando-os por cima dos filamentos de Oddish.

Ao final, as sementes explosivas de Shroomish atingiram os elétricos os atirando ao chão junto dos Magnemites.

“Oddish Dish” A pokemon olhou de canto para Roselia e o modo gracioso como se mantinha, sentindo a inveja fervilhar em si, mas estava muito envergonhada por seu desempenho nos contests para sustentar a rivalidade no momento.

“Conseguimos!” Comemorou Isabel virando-se para o filho, era a primeira vez que lutavam juntos.

“É verdade!...mas não acabou ainda, temos que ver o que está acontecendo com a Audino lá embaixo!” Lembrou o garoto e então os dois seguidos dos pokemons começaram a descer as escadas em direção ao laboratório principal.

 


mantenha em loop

A luz de Jirachi percorria por toda a extensão iluminada em busca de um pedaço que ainda pertencesse a Audino. Conforme descia, os filamentos elétricos se estendiam por todo o lugar eletrizando, tomando conta e iluminando cada centímetro daquele espaço.

A fagulha de luz do desejo buscava um ponto de escuridão, e entre o emaranhado de fios estalando e faíscas pulsando de um lado para o outro, encontrou: uma pequena porção obscura, que mantinha sua existência resistindo a iluminação que pouco a pouco a extinguia.

De uma só vez, o brilho banhado de poder em um tom azulado disparou adentrando a esfera obscura.

Memórias eram emuladas em um espaço que não refletia o agora, eram apenas pensamentos vividos pela pokemon. Um ovo fora resgatado da Safari Zone por enfermeiras Joy’s da cidade de Lilycove. Ao identificarem através de exames e ultrassom a espécie, logo a levaram para o centro de treinamento de enfermeiras pokemons da cidade.

Audino nasceu e nunca conheceu qualquer familiar. Nunca conheceu qualquer outra possibilidade que não fosse ser uma enfermeira pokemon. Suas primeiras percepções de mundo, foram encapsuladas e todo o seu passado existia em uma sala de aula.

A sala tinha as paredes dividas, três quartos rente ao chão eram revestidos com azulejos brancos e o resto da parede assumia um tom verde claro. As cadeiras eram enfileiradas de modo perfeito, todas elas: Audino’s, Chansey, Indeedee, Wigglytuff e demais pokemons sentavam em seus assentos etiquetados.

Acima delas um projetor para aulas diferentes. As janelas sempre fechadas e com cortinas durante as aulas, o quadro onde as lições eram ministradas alternava entre um quadro de vidro e de plástico conforme um botão mudava sua textura. As bordas eram entalhadas em madeira e o professor tirava o pincel de um compartimento no centro da lousa.

Ali ela aprendeu os principais conceitos. Conforme os desenhos dos instrutores agora transformavam-se em uma escrita compreensível, Audino aprendia como funcionava a anatomia de um pokemon, como focar energia para a cura, os principais remédios, medicamentos e demais conhecimentos para trabalhar em um centro pokemon.

Enquanto as memórias passavam, uma luz espreitava ao fundo. Jirachi sentia aquele lugar como um dos pontos mais sensíveis da pokemon, o ponto onde seu desejo nasceu por si mesma. Porém um estalo ao fundo da sala chamou sua atenção: uma raiz elétrica rachava pela parede fixando-se a ela e nenhum dos presentes reparava no acontecimento.

Um pensamento sempre passava pela cabeça da pequena pokemon: será que isso era mesmo tudo para ela? Não havia nada m-m-ma-a-a-ma-ma...os pensamentos se perdiam, uma raiz se iluminou e se alastrou pela memória retirando a aura que a compunha e a transformando em eletricidade. O controle de Audino sobre suas memórias se perdia com a sua alma.

“AUDINO, você estava certa em questionar esse futuro!” As paredes eram amarradas por fios elétricos que marcavam como veias destruindo os azulejos.

“Você já é muito mais, o seu desejo, ele alcançou algo muito além...” O quadro de vidro estourava e as letras escritas na lousa agora saiam para fora da projeção e se perdiam em padrões de zig zag que não tinham intenção de possuir algum significado.

“Foi ela quem chamou, apenas atendi ao desejo, ela quem decidiu eletrizar!” Uma voz estalando como circuitos agora ecoava pela memória.

“Você distorce o conceito, consumir a energia é diferente de compartilhar!” Rebateu Jirachi.

“Ora, você entende muito bem sobre distorcer o objetivo das coisas! A natureza de Hoenn não é o suficiente, vou quebrar o fluxo e redefinir tudo a minha vontade!!” As veias pulsaram como se estivessem prontas para rasgar aquela realidade por completo.

“AUDINO, por favor..…lembre-se...você...é...parte...disso...AUDINO!”.

“AUDINO” Uma voz ao longe também a chamou.

 

Com passadas rápidas e descompassadas, Wally e Isabel desciam as escadas seguidos dos seus pokemons chegando no ponto mais baixo daquela construção. Os dois observaram um corredor com salas nas laterais e a sala final ao fundo tomada por um brilho dourado.

A medida em que percorriam o corredor, observaram uma sala com computadores, um armário e diversos gráficos e análises cruzadas num quadro de camurça. Em frente a ela, algo que se assemelhava a uma biblioteca antiga com livros escritos à mão podia ser vista e ao chegarem na sala arregalaram os olhos.

Audino estava parada diante de um contêiner em formato de octógono que estava preso ao solo com 4 correntes pendendo do teto. O objeto se encaixava em uma estrutura que brilhava retirando a energia do que quer que estivesse ali dentro e espalhando pela estrutura metálica num sistema que alimentava todo aquele bunker, o conectando a algo além.

A luz amarelada que circundava a pokemon diminuiu a medida que ela se aproximava e, no lugar dela, veias surgiram percorrendo o corpo de Audino reluzindo em dourado e estalavam feitas de eletricidade. Seus olhos já não contavam com seu brilho e enxergavam apenas luz.

 Ela tocou o objeto que brilhou em resposta. Símbolos que se assemelhavam a setas de 5 cores: amarelo, laranja, vermelho-sangue, cinza e azul-gélido surgiram e respondiam ao seu toque. Uma das setas principais em amarelo brilhou mais forte.

Naquele momento, o fluxo que contornava tudo ao redor diminuiu e algo novo surgiu no redor. O tom azulado brilhante e a energia que fluía foi substituída por tiques de eletricidade, influenciando tudo a sua volta. Wally e Isabel sentiram seus corpos arrepiarem e algo pesar em seu peito, essa energia contornou as correntes rachando e quebrando uma após a outra.

“AUDINO!”.

“Wally pra trás! Não podemos ajuda-la agora!” Isabel puxou o filho para trás antes que esse fosse atingido pelas correntes, a queda delas provocava um estrondo pesado por toda a sala.

Segurando o contêiner em suas mãos. A pokemon começou a levitar retirando o objeto de onde estava e desligando a fonte de energia daquele órgão. Como senão pesasse nada, ela flutuava no ar, ao mesmo tempo, todas as veias de seu corpo se iluminavam ainda mais e no centro da estrutura de aço uma fonte de luz possuía a mesma cor das veias da pokemon rosada.

A face do octógono que ficava para cima era tampada por um Ruby que se iluminou e banhou o local com uma luz avermelhada.

“VAMOS ELETRIZAR JUNTOS!” Era o que ecoava na cabeça de Audino, instintivamente ela soube que deveria tocar aquela pedra. Erguendo a mão ela a levava na direção da joia, pronta para liberar o que quer que fosse.

“Você...é...parte...disso!” Uma voz sussurrou em seu ouvido e então seu braço parou no meio do movimento.

“NÃO! NÃO A ESCUTE!”.

As águas se comportavam de forma diferente, não fluíam livremente, a árvore plantada na área de cima daquele pedaço de terra lhe enviava um sinal alertando que era perigoso. Os nutrientes da terra utilizados na confecção dos aços lhe saudavam como uma amiga.

As vozes e as sensações vinham de todo o lugar, não havia mais como parar: o fluxo a saudava novamente e ela sentiu-se parte disso.

“O que está acontecendo?” Isabel perguntou vendo as veias elétricas pelo corpo da pokemon enfermeira piscarem como se estivessem com defeito.

"Não consigo me levantar!" Wally gritou, a pressão no local dificultava com que ficasse de pé precisando apoiar-se na parede. Virando em seguida para encarar a cena.

“NÃO! NÃO OUSE, VOCÊ QUEM COMEÇOU ISSO!”.

“VOCÊ VAI ME LIBERTAR!”

A pequena fagulha de escuridão remexeu dentro daquela dimensão, as memórias e a personalidade ali reprimidas se expandiram sobrepujando a iluminação. As raízes elétricas que buscavam sugar a energia desse plano perdiam suas forças e eram desgarradas das paredes daquela projeção, desaparecendo no vácuo obscuro. Tudo começava a se apagar, até que não houvesse mais um vestígio de luz.

No entanto, uma consciência habitava ali. Como sempre deveria ter sido. Audino abriu os olhos e soube mais do que nunca que havia voltado a si.

“SUA DESGRAÇADA, COMPLETE O RITUAL!” A voz bradou em sua mente, mas não a dominava mais.

Enxergando o mundo novamente, a pokemon conseguiu sentir seus braços e suas pernas. O controle do corpo que havia perdido a dias, soltando o octógono sob o chão ela se permitiu sentir o fluxo.

A energia que corria por todos os seres, era parte dela, as águas a saudavam ao longe assim como as plantas, sentiu seu corpo ser preenchido pelo poder e então começou a brilhar. Erguendo as mãos acima da cabeça com seus braços sendo preenchidos pela energia fazendo sua pelagem mudar de cor.

“Audino...eu...nunca...a vi sorrir tanto assim” Comentava a florista para si mesma.

Suas orelhas cresciam apontado para cima e as antenas estendiam ao ponto de enrolarem. Girando no ar com um sorriso, ela sentiu os pelos dos seus pés tornarem-se semelhante a botas enquanto os pelos em sua barriga cresciam como um casaco. Por fim um botão desabrochou em seu peito e ela abriu os olhos com o símbolo da mega evolução surgindo acima de si.

“O S-Símbolo...esse símbolo! Jirachi!” Wally ouviu uma voz grossa gritar como senão acreditasse no que via e então virou-se para trás.

Naveen e Wattson o líder do ginásio de Mauville desciam as escadas, com este último fixando o olhar em Audino, de modo que as marcas de expressão em seu rosto contornaram seus olhos e seu rosto tornou-se pálido.

“Naveen? O que esta fazendo aqui?!” Wally balbuciou tentando formar palavras.

“Eu disse que não era perda de tempo, eles estavam fazendo alguma coisa suspeita” O garoto vangloriou-se ignorando o comentário de Wally.

“Você fez bem em me contar, garoto, muito bem” Wattson comentou, sua voz assumia um tom que era difícil de decifrar.

“JÁ NÃO IMPORTA MAIS!” Uma pressão atingiu a todos que se voltaram para o contêiner que havia sido jogado de lado.

Este iluminou-se completamente em uma explosão repentina de eletricidade, um estrondo como se estruturas estivessem chamuscando de dentro pra fora foi ouvido por todos que levaram as mãos aos ouvidos. A potência do poder fez com que o Rubi que lacrava a prisão sacasse para o fundo da sala.

“EU CONSEGUI ENERGIA SUFICIENTE!”.

Com a prisão aberta, 7 globulos oculares vermelhos flutuavam acima como se estivessem envoltos por uma corrente magnética. Todos atuavam como um só e pouco a pouco eram envolvidos em uma espiral elétrica amarela que não conseguia assumir uma forma, mas evocava uma presença arrepiando todos os presentes e os fazendo sentir uma pressão grave em seus corações.

“APÓS TANTO TEMPO! ESTOU LIVRE!”.

“Não pode ser...isso não pode estar acontecendo!” Wattson constatava com pesar em sua voz.

“O-o que é essa coisa?” Wally arregalou os olhos projetando-se para trás institivamente.

A sensação para ele era pior do que não respirar. Espasmos involuntários pendiam suas pernas para baixo, seu coração batia num ritmo descompassado como se alternasse entre acelerar e desacelerar lhe dando a sensação de que sacaria para fora. Baixou a cabeça assustando enquanto  Ponyta, Oddish e Pichu esconderam-se atrás de suas pernas.

Isabel também juntou-se ao filho recolhendo os braços para junto do peito amedrontada pelo que era aquilo. Audino ainda em sua forma mega observava tudo tentando processar o que acontecia, o fluxo que enxergava não conseguia tomar uma forma concreta perto daquele ser, a conexão era interrompida como se faltasse sinal.

Naveen pensava se deveria permanecer firme no local para apoiar Wattson e conseguir sua promoção ou se já não era a hora de correr pelas escadas para longe daquele lugar.

“PODE NÃO SER AGORA, MAS PREPAREM-SE! TODOS VOCÊS EM BREVE IRÃO ELETRIZAR!”

E com um flash de luz que cegou a todos por alguns instantes, aquela presença desapareceu do local como se nunca tivesse existido. Deixando o contêiner caído no centro da sala, o rubi jogado em uma extremidade oposta e pedaços das correntes que o prendiam por todos os lados.

 

“Me ajude...por favor...eu imploro!” Utilizando todas as forças que ainda possuía, Latios gemia sob a grama, seu corpo não conseguia regenerar seu poder tão facilmente por não ter tido contato com nenhuma fonte de poder.

“Deixe me ver” Contando nos dedos começando pelo indicador, a garota o confrontou enquanto andava pela clareira ao redor dele “Você não conseguiu parar o Archie, falhou com o Maxie, falhou com essa Audino e agora mais uma vez, e ela nem tem treinador!” Reforçou indignada levantando um dedo para cada falha.

“M-Me Desculp-e...v-vou melhorar da próxima ve...” Sua voz falhava por telepatia, suas asas apresentavam espasmos frequentes, o pokemon tentava manter os olhos abertos, mas suas pálpebras fechavam de forma involuntária.

“Próxima?” A pergunta pairou no ar.

A garota o observou por alguns instantes, virou-se para o lado como se pudesse contemplar algo que não era possível. Virando o queixo para a frente, voltou a focar em Latios como se agora o enxergasse de fato.

“Receio que não será necessário” Ela o sentenciou.

“O-O que?” Perguntou o lendário.

“Quando nos aliamos a vocês o objetivo da irmandade era claro: Selar e manter Jirachi sob controle enquanto procuramos um jeito de acabar com o fluxo” Zinnia relembrou apoiando uma das mãos na cintura enquanto gesticulava com a outra.

“O tempo passou e Latias se mostrou uma aliada muito útil, graças a ela conseguimos rastrear Jirachi até hoje, já você...bem, em teoria era pra ser a parte da força, mas não está funcionando bem já faz um tempo” Ela deu de ombros enquanto finalizava sua constatação.

“N-não! E-Eu desisti...de tudo!” Sua voz através da telepatia soava urgente e falhava como um transmissão de rádio.

Um vento soprou agitando a copa das árvores que rodeavam aquela clareira. O sol que entrava por entre as árvores e focava sua luz no lendário, mudava de orientação conforme o fim do dia se aproximava. O que resultou em Latios ficando cada vez mais no escuro.

“Eu também, mas não trabalhamos com meritocracia aqui, as vezes esforço não dá em nada...Rayquaza e eu temos conversado e acho que é a hora Latios” A garota baixou o queixo o observando com um ar de superioridade.

Erguendo sua mão e apertando o pingente que segurava em seu pescoço uma luz vermelho-sangue irradiou dele. A luz banhou a clareira com seu poder, substituindo a luz dourada por um brilho vermelho pintando a atmosfera com um ar cada vez mais sinistro.

As plantas ao redor perdiam seu poder, partículas avermelhadas flutuavam ao redor da garota que as observava impressionada pela dimensão próprio poder inflamando toda a área ao redor em um raio de alguns metros.

“Já faz um tempo, mas sempre fico impressionada com essa sensação, de estar além de tudo isso, você também gosta não é?” Contendo o sorriso com a mão esquerda, ela fechou os olhos.

“É bom que se lembre da última vez que esteve acima do fluxo, que não cedeu sua vontade a Hoenn” Sua voz era como uma encarnação do poder que paralisava a energia natural de tudo ao redor.

 Levantando os braços e levando ambas as mãos a boca, ela cedeu um suspiro entre elas. Sentiu o calor se acumular em suas palmas, conforme seu pingente reagia a sua vontade e ambas se acenderam em um tom vermelho como o colar.

“Não pode fazer isso...eu...eu ajudei!” Latios tentou se mexer, seu corpo tremeu conforme ele se esforçava em vão para sair do lugar.

Um vento forte embalou as árvores ao redor derrubando folhas que se desintegravam devido a cúpula de poder ali estabelecida e viraram poeira vermelha. Os olhos de Zinnia se iluminaram no mesmo tom e o sorriso preencheu seu rosto.

Latios podia escutar o crepitar da chama de poder dracônico, um poder acima do fluxo e da natureza de Hoenn. Que só de se manifestar ali consumia o que podia ao seu redor, mesmo que de forma discreta.

“Agradecemos seus serviços Latios, mas nossa jornada se encerra aqui. Não se preocupe, você nem irá lembrar do que fez conosco, só do que eu quiser” A draconid contraiu os joelhos e abriu os braços conforme a capa que usava esvoaçava por trás de si.

O dragão mal conseguia manter os olhos abertos, tudo o que conseguia era ter vislumbres da garota, seu coração acelerou e ele tentou se debater para voar e escapar daquele destino, mas todos os seus esforços terminavam sendo em vão.

“Acima do fluxo e da vontade de Hoenn! Com poder transcendemos a ordem e com poder tiramos tudo o que queremos, realize a minha vontade Regidrago!” Zinnia entoou as palavras levando as mãos ao peito e as abrindo logo em seguida.

Feixes avermelhados se ergueram do chão sintonizando com a joia no pescoço dela, desenhando pelo ar com os dois braços, ela incitava as concentrações mágicas que se moviam do chão como mãos para agarrar Latios e o tirar da grama. Sem conseguir respirar o pokemon lendário sentia aquele poder queimando dentro de si, enquanto era mantido naquela posição contra sua vontade.

“Irei retirar o que lhe dei, você será subjugado ao fluxo agora”.

As mãos espectrais tinham tons de sangue que variavam numa tonalidade densa com marcas obscuras, um grande volume delas se projetou sobre o lendário o encobrindo de modo que só era possível ver sua silhueta. Dentro desse feitiço Latios foi forçado a fechar seus olhos.

Tudo era escuro, tão escuro que ele já nem conseguia sentir seu próprio corpo e poucos aos poucos o escuro era tudo o que tinha. Perdeu sua consciência, enquanto eram expurgadas esferas translúcidas que refletiam memórias do que ele havia vivido.

A garota observava todas como se passasse por um catálogo de filmes, movendo as mãos, ela fazia com que os filamentos avermelhados se projetassem até a memória e a esmagassem de uma vez só. Uma por uma, ela costurou a narrativa do pokemon conforme achou melhor.

“Bem, já é hora de finalizar”.

Unindo ambas as mãos, tocando as palmas e reduzindo todo o espaço entre os dedos, ela enviou outro comando. O poder respondeu saindo totalmente do chão e se concentrando em uma esfera com Latios dentro, pairando na mesma altura da copa das árvores. A draconid desfez a pose e ergueu a mão aberta esperando uma oferenda que não iria tardar.

A silhueta do pokemon dentro da esfera reluziu em um tom vermelho escarlate e a magia invadiu o corpo do pokemon o forçando a abrir a boca para extrair o que havia lhe dado. Delicadamente os feixes avermelhados trouxeram até a garota uma chama do mesmo tom reunindo toda a energia do lendário. A chama foi depositada sob a palma da mão de Zinnia, que sorriu e a levou até o pingente para ser absorvida por completo.

“Acho que por hora é só” Concluiu dando as costas para o pokemon e retomando seu caminho em direção ao Fiery Path.



Indo em direção ao Ruby caído no fundo da sala, Audino agachou-se e tomou a joia em sua mão. Algo no cristal a fazia se sentir atraída por ele, embora a pedra não ressoasse em nada com o fluxo ao redor, sentia como se algo estivesse preso dentro dela.

“Você...você não tem ideia do que fez!” A expressão de susto de Wattson agora se convertia em um ódio inflamado.

Seu maxilar travou, a medida em que as olheiras antes ressaltadas eram substituídas por um olhar focado na pokemon ao fundo da sala. Ele remexeu em seu bolso e ergueu duas pokebolas, clicando em seu centro e liberando Electivire e Manectric.

“O que vai fazer?” Naveen perguntou assustado com a postura do homem.

"Como você teve coragem de nos denunciar dessa forma!" Wally gritou para o garoto assim que ouviu sua voz, porém esse apenas ignorou.

“Essa...coisa não pode continuar viva, preciso encerrar com ela agora!” O líder de ginásio cerrou os dentes fazendo menção a Audino que voltou-se para ele.

“E-Espere o que?!” O menino de mauville exclamou arqueando as sobrancelhas.

“Electivire ThunderPunch, Manectric Wild Charge AGORA!” Sua voz ressoou como um trovão conforme ele estufava o peito e abria os braços cerrados em punho.

“NÃO! NÃO A ATAQUE!” Assustada a mulher ergueu a mão a frente, mas foi puxada por Wally enquanto os dois pokemons passavam.

O gigante elétrico respondeu a vontade de seu treinador, percorrendo o corredor com suas pisadas ecoando pelo bunker. Inflando seu punho que se envolveu por eletricidade iluminando a sala, ele saltou erguendo o braço o movendo para trás e em seguida disparando seu soco para frente.

Manectric correu ao redor, impulsionando-se pelas paredes da sala em formato quadrado, ele ganhou eletricidade em seu pelo e com um impulso disparou no ar caindo em direção a pokemon enquanto Electivire atacava de frente.

“O-O que?!” Assustada, a pokemon entrou em postura de combate abrindo os braços em um arco ela incitou o fluxo ao seu redor. Seus olhos se iluminaram e dos seus pés uma energia rosada desabrochou em formato de flor, a envolvendo por completo em uma barreira mística que a protegeu de ambos os golpes.

O impulso dos golpes resultou em um rebote que fez com que ambos os oponentes fossem projetados para longe dela.

“O QUE ESTA FAZENDO?! Ela é nossa...amiga!” Isabel gritou, mas sabia que de nada adiantaria. O poder dos dois era enorme e a pressão da eletricidade ecoava no ar, ela não poderia lutar nem se quisesse.

“Eu tomaria muito cuidado ao chamar essa coisa de amiga, esse bunker, foi construído pelos draconids e mantido a gerações pela minha família. Foi ele que possibilitou gerar energia para que Mauville prosperasse ao longo dos anos e agora veja o que essa coisa fez! Como seguiremos em frente?!” Explicou o senhor antes de erguer a mão pra novos comandos.

“Electivire Electric Terrain, Manectric pressione-a com Flame Charge!”.

Ainda no ar, Manectric deu uma cambalhota ao cair sob o chão. Eriçando seu pelo, este se incendiou o cobrindo com chamas e o embalando junto em uma corrida na direção da oponente aumentado sua velocidade.

“ELEEEEC!” Electivire conectou os cabos de sua cauda no chão e descarregou uma energia expansiva que tomou forma mudando o campo com propriedades elétricas.

Tudo passou a brilhar em amarelo, estalando e iluminando todas as áreas. Audino apenas teve tempo de levar as mãos a frente do rosto criando uma nova barreira em formato de flor quando Manectric jogou-se contra ela.

Com um som oco, eles disputavam poder. Buscando acabar com aquele ataque, a pokemon cruzou e abriu os braços afastando o oponente.

“Isso deve ser um mal entendido, ela não fez por querer, já chega disso!” Wally gritou incomodado com aquela situação, não conseguia focar seu olhar ao redor, Naveen o irritava, a destruição das salas o deixava aflito, livros jogados no chão lhe agoniavam e os equipamentos quebrados o faziam querer correr dali.

“Não fez por querer? Ninguém além da minha família tinha acesso ou conseguia sequer passar da porta antes dela. Ela foi guiada até aqui pelo poder da vontade! Nos escritos antigos já alertavam sob tentativas de quebrar o selamento feito pelos draconid! Qualquer um que tentasse traria desgraça a Hoenn através do poder da vontade, a natureza não tem o discernimento, ela só quer expandir!” Wattson comentava de uma forma fanática pelo que acreditava.

“Eu não estou planejando nada, só estou querendo ser eu mesma! Esses poderes, eu os ganhei por alguma razão e apenas quero descobrir!” Audino interveio elevando sua voz por todo o cômodo.

“Ser você mesma a custo de uma cidade inteira?! Isso é besteira, você não faz ideia do que libertou e se eu não parar você aqui e agora irá libertar os outros! Tenho certeza que esse não é o primeiro mal que você causou!” Wattson argumentou com uma forte pisada sob o solo seguido de novos comandos.

“Thunder Wave, Manectric Discharge!”.

As palavras de Wattson chegaram aos ouvidos de Wally e tudo parou para o garoto. Ele não conseguia pensar de outra forma: desde que Audino entrara em contato com Jirachi ou o que quer que fosse tudo havia mudado. Eram coisas perseguindo-a constantemente. Latios no primeiro dia quase acabou com os dois, aquela coisa que quase o matou no Contest em Verdanturf e novamente Latios antes de chegarem em Mauville.

Tudo envolvia algum tipo de destruição e o motivo era sempre por Audino estar perto, ele não podia continuar apoiando isso. 

O gigante elétrico abriu suas mãos e os cabos de sua cauda foram atraídos pela concentração de poder levitando ao seu redor. Vibrando em uma frequência especifica dispararam ondas elétricas que percorreram o campo e atingiram a pokemon.

Audino sentiu as frequências percorrerem seu corpo travando a amplitude de seus movimentos, arregalando os olhos pela surpresa, ela caiu sob seus joelhos sem conseguir mover os braços. Voltando o rosto para cima, ela acompanhou o movimento do oponente projetando-se sob ela.

Com os tufos de pelos brilhando nas patas dianteiras, Manectric rugiu envolveu-se em uma bola de eletricidade. E em seguida pisou sob o solo disparando do chão uma imensidão de fios elétricos que ganharam vida por toda a sala buscando atingir qualquer coisa.

“AAAAAAAH!” Audino gritou ao sentir seu corpo sendo pinicado e em seguida completamente envolto em eletricidade. Os fios acertaram Electivire que os absorveu graças a sua habilidade e ganhou ainda mais velocidade.

“Esse é o caminho que todos aqueles que seguiram a vontade de Hoenn chegam mais cedo ou mais tarde. Foram os humanos que se preocuparam em selar os golens, agora sabe-se quantas pessoas serão vítimas quando ele retomar seu poder?! Temos um gerador reserva, mas por quanto tempo irá durar?! Você se importa com isso?!” Wattson caminhava em direção ao corredor furioso.

“E-Eu....eu nunca quis nada disso...! M-Me desculpe...” De joelhos, as faíscas estalavam sob seu corpo limitando seus movimentos.

“E-Ele tem razão!” Wally concordou e Isabel se voltou para ele assustada.

“O que você disse?!” Isabel perguntou sem acreditar.

“Ele tem razão! Desde que Audino ganhou os poderes coisas estranhas acontecem toda hora, eu não aguento mais viver desse jeito! Estou cansado de quase morrer sempre e me preocupar tanto, era para eu estar comemorando minha primeira vez num contest, mas olha onde eu estou? Lutando uma batalha que não é minha!” Wally gritou voltando-se para a mãe que afastou-se dele.

“O-O que você...?” Sentiu como se tivesse sendo golpeada por trás.

“Vamos, vamos embora, se continuarmos junto dela mais cedo ou mais tarde quando as coisas vierem atrás dela vamos morrer juntos! Não temos poder e nem porque continuar nisso” Wally comentou regressando seus dois pokemons enquanto se precipitava para ir embora com Pichu ao seu lado.



Ao sentir através do fluxo as intenções do garoto, uma pontuada paralisou seu coração naquele instante. Electivire se precipitava em sua direção com o punho lotado por eletricidade enquanto Manectric avançava por trás para ataca-la. Wattson a ofendia pelo ocorrido enquanto Naveen apenas esperava que tudo aquilo acabasse para sua promoção chegar logo.

Isabel observava o filho dar as costas a ela não acreditando que ele seria capaz de abandonar as pessoas daquela forma, a sensação de impotência a dominou por completo, embaralhando seus pensamentos e não a permitindo tomar qualquer decisão.

Memórias da sua vida passaram diante dos olhos de Audino, desde o momento em que nasceu, seus anos de serventia nos centros pokemons até o momento em que começou a cuidar de Wally. Nunca, em nenhum momento, o deixou, pois entendia que ele precisava de ajuda, pelo menos até aquele momento.

“Lutando uma batalha que não é sua?! Pois vá embora, eu não preciso de você, mas tem uma coisa que eu deveria ter dito a muito tempo!” Sua voz se elevou por cima de todos chegando a Wally que se virou para ela surpreso.

Uma pressão foi sentida por todos naquele lugar, as paredes tremeram, as águas se agitaram respondendo a uma força que as incitava. Do lado de fora a árvore balançava seus galhos enquanto as folhas se iluminavam num tom verde claro, tudo fluía em conjunto e fluía em direção a Audino.

Seu corpo começou a brilhar a medida em que a paralisia em seus músculos era curada por sua própria natureza. Retomando seu controle, ela não seria mais reprimida, estava cansada.

No momento em que Electivire e Manectric se aproximaram ela ergueu as mãos em arco desenhando um arco íris e dando vida a flechas luminosas. Elas foram disparadas contra ambos os inimigos com um estrondo que os repeliu num impacto bruto, Electivire firmou-se sob os pés tentando conter o dano, enquanto Manectric colidiu contra a parede atrás dela soltando um ganido oco.

A fumaça passou e Audino levitava acima do campo com os olhos fixos em Wally que também a observava, o terreno elétrico mantinha-se, mas oscilava sua energia devido a concentração do fluxo.

“Eu cuidei de você como se fosse da minha família, curei você, fiquei ao seu lado quando ninguém mais pôde! Te defendi e dediquei a minha vida, ouvi cada sonho seu, palavra ou confissão. E fiz tudo calada. Aguentei acreditando que tudo eram complicações da sua doença e eu deveria estar lá para você, pois precisaria de mim já que estava sozinho e no fim eu estar ali significava algo!” Ecoando de dentro de si sua voz percorria cada canto daquele lugar

“Vejo que eu estava enganada, você nunca vai entender porque nunca fez questão! Nunca passou pela sua cabeça se colocar no meu lugar e entender que o mundo não gira apenas em função dos seus problemas! Que mesmo lidando com eles isso não te impede de praticar uma única gentileza na sua vida e eu estou cansada de esperar! Estou farta de todos vocês, quero respostas e já vi que se eu quiser continuar atrás delas, continuarei sozinha!” Ela finalizou suas palavras e o garoto arregalou os olhos sem acreditar no que ouviu.

Subindo as escadas ele desapareceu do lugar no mesmo momento. Isabel tinha lágrimas em seus olhos, a florista sentia suas pernas paralisadas e não sabia o que fazer naquela situação, apoiava-se com o braço esquerdo na parede. Estava decepcionada com Wally e sentia-se culpada por nunca ter percebido as emoções de Audino, baixou o rosto e escondeu-o entre as mãos curvando o corpo.

“Vamos aproveitar que ela está fragilizada! Naveen tire-a daqui, eu vou encerrar isso!” Wattson ergueu a mão fazendo sinal para o menino que foi em direção a mulher e a acompanhou até a saída.



“Foi um belo discurso, mas eu não estou disposto a assistir a resolução emocional de vocês! Acabem com isso, Electivire use Thunder! Manectric Wild Charge!” Gritou o homem pretendendo encerrar aquilo de forma rápida.

“Não pretendo me resolver e muito menos deixar você julgar a procedência do meu poder!” Audino devolveu.

Rugindo, Manectric levantou-se ignorando as dores e a eletricidade do campo se uniu a ele fortificando o poder que pulsava de dentro de si. Num blitz elétrico ele disparou em direção a pokemon enfermeira e ela ergueu o braço direito onde uma flor desabrochou em uma barreira, estabelecendo um limite com o seu oponente.

A pressão dele era intensa e ela conseguia sentir a eletricidade estalando por seu escudo. Aproveitando a brecha, Electivire abriu os dedos das mãos e os abriu em arco invocando nuvens acinzentadas acima da pokemon. Um estrondo ecoou pela sala junto de uma ventania quando as massas de ar colidiram causando um clarão, seguido por um raio que desceu em direção a ela.

Audino desejou ter uma maneira de sair dali e no mesmo instante o fluxo chamou por ela, a terra lhe convidava dando passagem. Confiando nela, desfez a proteção e foi tomada por uma energia alaranjada sintonizando com o terreno abaixo de si, disparou em para baixo no momento em que o trovão acertou o solo. O impacto resultou em uma explosão levantando poeira e fazendo com que as portas das salas no corredor se abrissem com o pulso de poder.

“Ela irá atacar, estejam atentos Electivire carregue Thunder Punch, Manectric Discharge! Não deixem-na escapar!” Erguendo a mão em punho o líder de ginásio rasgou o ar com seu comando.

Em sincronia, Electivire trouxe os punhos para junto do corpo os fechando e carregando eletricidade, suas mãos reluziam juntamente com o brilho da energia restante do terreno. A luz do campo elétrico e dos poderes tornava tudo difícil de se observar, Manectric posicionou-se ao lado do gigante elétrico preparado para descarregar ao primeiro sinal da oponente.

Um barulho de rachadura foi ouvido no canto esquerdo da sala, Manectric logo se virou disparando sua saraivada de feixes em cadeia, enquanto Electivire correu sendo acertado pelos feixes ganhando mais velocidade e avançando enquanto preparava um soco.

“Eu devo agradece-lo, nunca tive a chance de explorar meus poderes dessa forma!”

A voz da pokemon causou uma explosão sob o solo criando uma fumaça, no momento em que Electivire investiu com um salto rodeado pelos feixes elétricos. De dentro da nuvem de poeira, um comboio de ondas sonoras zumbiu por toda a sala e exerceu pressão sobre o pokemon do líder de ginásio.

As ondas interromperam o fluxo da eletricidade explodindo os feixes no processo e acertando Electivire ainda no ar. O pokemon tentou se proteger, mas a pressão do movimento era demais, embuindo sua voz com o fluxo, Audino cantava criando um círculo mágico para amplificar seu poder.

Forçando-o para trás e o atirando contra Manectric, os dois oponentes caíram sob o chão e desesperados tentavan proteger os ouvidos, mas o som invadia seus tímpanos. Os causava dano em seu corpo a medida em que se propagava por eles os impedindo de fazer qualquer movimento.

“Q-Que poder é esse?! Electivire mantenha a postura e tente paralisá-la com Thunder Wave, Manectric pelas paredes e use Wild Charge!” O homem pensava em uma estratégia ao analisar a luta de longe.

Surgindo acima deles, Audino levitava com seu corpo brilhando com uma aura rosada. Ela enxergava o fluxo além dela e ele a saudava lhe dando energia, olhando para o homem ela se sentiu capaz de encerrar aquele combate.

“Sinto muito, mas temos visões opostas sobre como eu deveria lidar com o meu poder. Desejo-lhe sorte para cuidar da sua cidade!”.

A pokemon então ergueu a mão banhada em um tom rosado, enquanto desenhava ao seu redor um arco em tons arco íris. Flexionou um braço para trás puxando a linha da arma enquanto segurava a base do arco com a mão direita, flechas multicoloridas surgiram no espaço entre a linha e a base prontas para disparar.

Mirando nos oponentes, ela soltou a linha e disparou uma saraivada delas junto de um clarão deslumbrante enquanto a luz os engolia. Electivire e Manectric eram golpeados por todos os lados na luz, sentindo a pele queimar e suas energias serem reduzidas a medida em que o dano do ataque os consumia, deixando ambos inconscientes.

Com um mergulho em direção a terra, ela cavou pelo solo do bunker desaparecendo do lugar enquanto Wattson observava os pokemons caídos sem acreditar que havia falhado.

Wally chegou no centro pokemon já de noite e adormeceu com Pichu ao seu lado. Acordou com batidas na porta do seu quarto no primeiro andar, eram investigadores buscando saber se Audino ainda estava com ele. O garoto fora obrigado a provar que não esteve com Audino desde que saíra do bunker com até mesmo as filmagens do centro pokemon mostrando a hora em que havia chegado no hospital.

Voltou ao quarto, após fechar a porta. Encostou as costas contra a folha de madeira e olhou para cima. Audino, sua mãe e Naveen, nenhum deles se importava de verdade com ele. Todos seguiam seu próprio caminho enquanto ele era obrigado a atuar como coadjuvante, mas isso iria mudar.

As cortinas ainda estavam fechadas e a pouca luz vinha da fresta de baixo da porta. Reparou na cama ao lado da sua, onde sua mãe deveria ficar, mas que estava arrumada em perfeito estado e acima dela havia uma carta.

Ligando o interruptor ao lado da porta, ele pegou a carta e sentou-se na cama. O roedor elétrico acordou com o gesto e se aninhou ao lado dele o fazendo sorrir, Wally percebeu que ele era o único em quem conseguia confiar após tudo o que aconteceu.

“Wally, eu nem sei o que dizer. Honestamente, me sinto culpada por você ser capaz de dizer aquelas coisas horríveis a Audino e por eu mesma ter feito com que ela se sentisse dessa forma. Não consigo superar a sensação de impotência que senti durante o que aconteceu, por isso, estou indo atrás dela e desejo que você repense no que disse e as suas atitudes. Você já provou que consegue se virar sozinho e se precisar de qualquer coisa, fale comigo, Isabel"

Franzindo o cenho, pensou em jogar o papel no lixo. Mas não importava, não iria arriscar sua vida por coisas que não dissessem respeito a ele mesmo. Iria mostrar a todos que podia se virar sozinho, e já que não faziam questão dele, ele também não faria questão delas. Guardou a carta dentro da sua bolsa e então suspirou, precisava se preparar para partir.

“Obrigado por ser o único que permaneceu do meu lado Pichu, que tal se você vir em uma jornada comigo? Estamos indo pra Slateport!” Convidou o menino erguendo uma pokebola para o roedor.

“Pichu Pi!” Concordou o pokemon levantando as orelhas.

Notas Finais: E chegamos ao fim do Arco Coisas Naturais, o arco inicial dessa história! Espero que tenham gostado e que tipo de aventuras esperam por nossos personagens nesse novo passo? 

 

Capitulo 13: Coisas Naturais!

Notas Iniciais: Hiiiiiiiiiiiiiii após muito tempo finalmente consegui terminar esse capítulo! Estou muito orgulhoso dele, ele tem sido a sín...