sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Capitulo 10: Qual o seu problema?

 Notas Iniciais: Após um bom tempo, chegamos finalmente em Mauville! Audino esta internada após o que aconteceu nos últimos dias, enquanto isso, Wally conflita sentimentos diversos ao reencontrar um velho conhecido em Mauville! 

Capítulo 10: Qual o seu problema?

A cidade de Mauville, um local marcado por sua integração com a eletricidade e a tecnologia. Tida por muitos como a cidade do futuro, um local onde todos que buscavam o progresso em Hoenn deveriam estar. A cidade buscava rivalizar com Lilycove como o cartão postal da região, mas já que não podia competir com o comercio marítimo tentava oportunidades em outros setores.

Um pequeno roedor elétrico corria por estruturas metalizadas da cidade construída a mão. O que significava que sua geografia não refletia mais ao que um dia foi e cada parte do local fora e estava sendo planejada por zoneamento. A cidade era definida por três andares, sendo o superior o andar onde o pequeno pokemon andava.

Enquanto o pokemon passava pela praça central do andar superior, ele percorria pelos pinheiros e grama verde implantados ali, com um sistema de irrigação que era acionado em horários específicos. Os bancos eram feitos de uma estrutura que simulava madeira buscando trazer uma certa integração com a natureza no limite do possível.

Suas patinhas tocavam o solo sintético feito de uma base de concreto e revestido por uma pintura de tons terrenos, passava por entre pessoas que tiravam fotos dos painéis solares em construção.

“Pichu?” Confuso ele olhava ao redor do parque, movendo sua cabeça em todas as direções buscando qual seguiria. Trabalhadores construíam casas no que podia ser considerado a cúpula da cidade, caso alguém comprasse sua residência ali, poderia ter uma vista das 4 rotas que levavam a metrópole.

Encontrando seu caminho por entre duas obras em andamento, o pokemon seguiu em frente, descendo por escadarias ao sul do local. Pichu continuava seu andar estando agora no que poderia ser considerado o andar térreo daquela construção.

Emergindo no sul do andar pela escada, ele olhou de um lado ao outro, havia uma fila enorme de pessoas em frente a uma loja de bicicletas.

Tomou o caminho para a direita, as ruas ali já eram decoradas por um piso de porcelanato em um tom areia, colunas de metal seguravam o teto da cidade suspensa acima e as luzes brilhavam num tom claro que se ajustava ao horário do dia. O pokemon continuou até chegar no centro da cidade, passando bem em frente a um centro pokemon.

“Pi-Pichu? Pi...” Decepcionado, o elétrico sentou no meio daquela zona, em uma área de grama sintética que rodeava a fonte de Mauville ainda em construção.

Ele gostaria de ver um pouco das águas que costumavam estar próximas a cidade, mas desde que a arquitetura do local mudara, frequentemente perdia o caminho para onde gostaria de ir. Mas não havia outra opção, descansaria ali até conseguir encontrar o caminho novamente.

O centro pokemon de Mauville possuía o dobro do tamanho do de Verdanturf, ele atendia os treinadores que provinham das 4 rotas da região, o que fazia a rotatividade ser grande e na maior parte do tempo os treinadores não tinham o costume de ficar para dormir. Especialmente com a cidade estando em obras.

No entanto, a ala de quartos ficava no primeiro andar, com a construção tendo 3 andares. Ao abrir as portas, estava a tradicional bancada com a enfermeira Joy, haviam duas direções laterais para seguir. Passando pela esquerda estaria o acesso aos elevadores que levavam as unidades de internação e demais funções médicas.

Na sala da UTI no segundo andar seguindo por um corredor após passar por outras alas, no quarto 303, Audino estava internada agora em um estado contido, porém em observação pela equipe médica do centro pokemon.

“Acalme-se Wally, ela vai ficar bem, você precisa falar com a sua mãe que chegou, também precisa comer algo” Hop chamou pelo garoto sentado nas poltronas vendo apenas suas costas.

O leito onde Audino descansava ficava de frente as poltronas, o tom verde oliva das paredes traziam uma sensação reconfortante, ao lado da cama hospitalar ficava uma estante de madeira para acomodar pertences, o quarto também contava com um banheiro e as janelas abertas que traziam uma brisa para saudar a pokemon de quando em quando.

Wally observava o subir e descer do peito dela conforme seus olhos permaneciam fechados, agora haviam curativos localizados no abdômen onde ela havia sido ferida e a expressão de desconforto no rosto dela já havia passado.

“O fato de estarmos conversando a pouco tempo e ela estar dessa forma é tão estranho, me faz sentir algo tão desconfortável...” O garoto de Verdanturf comentou pondo a mão sob o colchão e sentindo a textura da colcha que o cobria, constatando que era real.

“Provavelmente porque tudo foi muito rápido, eu mesmo ainda nem entendi o que aconteceu e como ela saiu viva...e o principal: o por que essa coisa está perseguindo vocês?” O galariano se perguntou ainda sentado na poltrona.

“Eu não faço ideia, mas não quero pensar nisso agora...” Wally comentou sentindo seu estomago roncar, com sua condição de saúde também não podia se dar ao luxo de passar longos períodos sem comer. Virando-se para trás ele encontrou Hop também olhando Audino.

O menino de cabelos roxos então notou seu olhar, abrindo um sorriso, esperando por ele. Um gesto simples, mas que foi o suficiente para que Wally se sentisse mais confortável.

“Vamos, vou falar com a minha mãe e depois vamos comer alguma coisa”.

Ao abrirem a porta, estavam no corredor, este continha cerca de 10 leitos iguais ao que Audino estava internada. Percorrendo-o ao final, o garoto de cabelos verdes foi em direção a uma cabine com uma janela de vidro e comunicou a atendente que estava de saída.

“Obrigado pela atenção, estaremos aqui e estamos com o seu contato pelo pokegear, mas não se preocupe ela está aqui apenas em observação” A Enfermeira explicou buscando tranquilizar Wally e o garoto decidiu acreditar em suas palavras.

 

Voltando ao primeiro andar, ele observava a tela do computador da área de comunicação e mídias digitais do centro pokemon deixar de refletir seu rosto e acender o menu inicial. Estando logo a direita da porta da entrada, Wally não entendeu a escolha, pois todos que passavam podiam ver a ligação sem qualquer privacidade.

Clicando no botão e digitando o número de sua mãe, esperou que ela o atendesse.

“Eu não sei porque você não aceita que façamos chamadas pelo pokegear, não é a mesma coisa?” Ele perguntou incomodado.

“Lógico que não, além da tela ser pequena, o sinal é péssimo, aqui pelo menos posso ver mais de você, filho e matar um pouco a saudade” Isabel respondeu, o que surpreendeu o garoto pela leveza ao qual o tratara.

“Bem...liguei só pra avisar que chegamos, fiz a troca do cilindro e vou almoçar para depois ir me inscrever no Contest” Wally contou como se estivesse fazendo uma lista de tarefas com um tom de voz quase robótico.

“Entendi, mas está tudo bem? Você parece tão distante...onde está a Audino?” Sua mãe perguntou e o garoto ficou em silêncio por alguns instantes se perguntando o que deveria responder.

“Ela está no hospital...fomos atacados por alguma coisa e ela nos ajudou a fugir e lutou até o fim...a encontramos depois na floresta e eu e o Hop trouxemos ela aqui, já está estável, mas ainda está em observação...” O garoto respondeu sem conseguir olhar para a tela temendo a reação da sua mãe.

“Ela realmente cumpriu com o que falou...eu fico aliviada que vocês dois tenham conseguido sair disso, assim que eu chegar ai irei vê-la” A mulher respondeu interrompendo a ligação para pegar um pacote de sementes e vender a uma senhora que as usaria para uma receita.

“Pera, como assim chegar? Você vai vir mesmo pra Mauville?” Ele perguntou arregalando os olhos com a reação dela.

“Claro que sim, é a sua primeira vez em um contest, acho que é importante eu estar presente pelo menos, bom quando eu chegar a noite conversaremos mais sobre essas questões, espero que aproveite Mauville” Desejou ela deixando o aspirante a coordenador um tanto quanto incomodado observando para a tela apagada do computador.

Levantando, ele andou ao corredor central. As portas abriram-se revelando Hop parado um pouco a frente, observando a fonte em construção. A estrutura mecânica para jorrar água já estava pronta, o trabalho de paisagismo também estava avançado e só o que faltava era a aprovação do modelo da estátua que estava sendo votado.

“Ouvi dizer que deu polêmica, pois sugeriram um Magneton ou um Electrike para ser o modelo e o pessoal começou a dizer que Magneton nem é natural de Hoenn e criticaram a falta de representatividade de Plusle e Minun” Hop comentou virando-se para ele com seu tradicional sorriu.

“Nunca vi ninguém levando Plusle e Minun pra lutar contra o Steven, mas é aquilo né, onde vamos almoçar?” Wally perguntou entrando no clima do assunto.

“Acabou de abrir um restaurante Vacilou? Perdeu em frente ao ginásio de Mauville, gostaria de ir lá experimentar o que acha?” O amigo perguntou empolgado.

“Bom, tudo bem, se você for pagar podemos ir sim” Ele respondeu e ambos se dirigiram para a saída logo ao norte do centro pokemon, pegando a esquerda para irem até o local.



As ruas de Mauville eram todas planejadas para levar em algum lugar interesse de modo que a cidade parecia sempre viva não importa aonde estivesse. Eram tematizadas pelo que ofereciam seja em termos de artigos, mídias, trabalhos, adereços diversos e claro batalhas pokemons. Nesse sentido, a área do ginásio era focada em oferecer atrações variadas envolvendo batalhas pokemon com tudo o que você pudesse encontrar.

Como estabelecimentos se desenvolvendo ao redor do ginásio da cidade focados em batalhas, por exemplo havia uma associação do instituto de batalha que definiam regras e competições. E a mais nova atração da cidade: O Restaurante Vacilou? Perdeu, muito famoso na região de Galar e Kalos, mas banido pela vigilância sanitária de Alola.

Sendo na verdade uma rede de fast food, com um balcão de pedidos em formato de L com várias mesas dispostas, a cozinha no interior do restaurante possuía uma ilha onde os insumos ficavam dispostos e os cozinheiros preparavam as refeições manuseando os utensílios de lá para cá.

Wally e Hop sentaram-se em uma das mesas centrais enquanto terminavam de fazer os pedidos, conseguindo ter uma ampla visão do ginásio daquele ponto.

“É sério Hop? Nós vamos ficar aqui aguardando nosso pedido e alguém pode simplesmente chegar nos derrotar, nos tirar daqui e então não vamos comer? E nem vão devolver nosso dinheiro?” O garoto de Verdanturf arqueando as sobrancelhas enquanto consultava o regulamento do estabelecimento disposto no cardápio.

“Vacilou? Perdeu! Hahaha, não é empolgante?” O outro já estava animado olhando de um lado para o outro para ver algum potencial desafiante.

“Não estou com paciência para isso, então você vai lutar, se perder eu te mato” Wally finalizou fechando o cardápio e o repousando na mesa, colocando as duas mãos sobre ele.

“Foi tudo bem com a sua mãe? Você parece ainda mais afetado depois da chamada com ela” Notou o outro erguendo uma sobrancelha ao perceber o comportamento ainda mais impaciente do de cabelos verdes.

“Foi, mas isso é estranho, sempre tivemos dificuldades quando eu contava algo e agora de repente ela está compreensiva...só porque fui embora? Isso não faz sentido, porque está me tratando diferente?” Ele questionou incomodado enquanto encarava Hop com uma expressão direta.

“Talvez ela só queira facilitar as coisas para você...” O galariano começou.

“Ela não podia ter feito isso antes? Agora que eu fui embora ela resolve...” Falou por cima dele, quando um garoto colocou-se diante deles, o interrompendo.

“Então, acho que esse lugar nos pertence, é bom sair senão quiserem tomar uma surra, coordenadores” O menino tinha olhos verdes, usava jaqueta vermelha e cabelo espetado para cima com gel, colocou a mão direita sobre a mesa e a outra exibiu uma pokebola.

“Olha quem fala, você quem vai tomar uma surra! Tem certeza de que não quer lutar Wally?” Hop respondeu virando-se em seguida para conferir o que o amigo diria.

“Pode ficar à vontade” Wally dispensou balançando a mão.

“Não esqueça de colocar a plaquinha” Recomendou o de cabelos cacheados antes de ir em direção ao campo de batalha de trás do salão principal.

O garoto pegou uma placa de madeira disposta na mesa, colocando uma aba para trás e a colocou de pé sobre a madeira, o objeto informava: MESA SENDO DISPUTADA. Ele inspirou profundamente, absorvendo um pouco do ar, conseguia sentir a diferença do ar dali para o de Verdanturf o que chegava a ser assustador.

Era como se lhe faltasse um pouco do fôlego o tempo todo, situação que o deixava incomodado. Mas não apenas isso o incomodava, Audino naquela situação, O contest iminente e estava inseguro se suas combinações seriam o suficiente, sua mãe vindo vê-lo e agindo como se nada houvesse, odiava a sensação de problemas se acumulando como poeira no seu quarto.

Pois não importava para onde olhasse, veria um bolor e saberia que algo estava errado. Enquanto olhava para a fachada conseguiu ver um burburinho se formando em frente ao ginásio, pessoas comentando e luzes de um telão se acendendo.

Olhou para o campo de batalha e viu Marina lutando contra uma Mawile que só sabia Iron Defense e Bite, soube que a luta iria demorar. Levantando-se decidiu ir ver o que estava acontecendo.

 


“Olá Mauville! Sejam todos bem vindos! Quero começar com o meu muito obrigado a todos os que compareceram para prestigiar o lançamento desse programa e agradecer ainda mais aqueles que se inscreveram!” Uma voz robusta e grave era amplificada por um microfone auricular, enquanto Wally se esgueirava pela multidão empurrando pessoas que protestavam até conseguir ter um vislumbre do que estava acontecendo.

Havia uma escadaria que dava para um largo antes da entrada do ginásio, havia um telão projetado sob a fachada do ginásio com leds, ao qual podia-se ler: Acampamento Mauville: Iniciativa de Batalhas!

O logo da liga pokemon presente na placa do prédio também brilhava e bem abaixo dele, a frente das portas de entrada estava Wattson, o líder de ginásio e também prefeito da cidade. Um senhor com uma barba branca cheia e costeletas que se uniam com seu cabelo baixo nas laterais da cabeça e espetado no meio.

Usava um macacão de operário amarelo com uma jaqueta camuflada por cima decorada por padrões de raios, o que passava a impressão de um trabalhador.

“Como todos sabem, hoje é o lançamento do programa Acampamento Mauville: Iniciativa de Batalhas! Mauville é a cidade do progresso, construímos o futuro diariamente, já fizemos inúmeras construções, mas buscamos sempre a próxima afinal por aqui estamos sempre de olho no que está vindo não é mesmo?” Provocou o homem enquanto o público batia palmas para sua fala.

“Abrimos um edital para pessoas de todas as cidades que assim como nós acreditam sempre no progresso! Dessa vez focado para melhorar as condições das batalhas pokemons, com dispositivos que auxiliem os treinadores, combinando energia e treinamento de uma forma nunca antes vista! Depois das mais de 3 fases de seleção aqui estão os 4 principais colocados!” Wattson ergueu a mão enquanto tirou do bolso da jaqueta um papel com o nome dos colocados.

O primeiro um garoto de pele negra, tranças caindo por sob o ombro e olhar afiado, A segunda uma garota com bochechas grandes e braços largos utilizando um vestido rodado, A terceira uma mulher de cabelos roxos, utilizando um capuz vermelho com chifres na cabeça algo que deixou Wally confuso.

E por fim, alguém que fez o menino de Verdanturf paralisar por alguns instantes, seus olhos arregalaram e suas sobrancelhas acompanharam sua expressão. Seu coração acelerou e em seguida pareceu ter parado a constatar o garoto a sua frente.

Com duas tranças caindo sob o olho, as laterais do cabelo raspado e enfeites laranjas por sob seu cabelo. Ele utilizava um moletom branco dois números acima e por baixo uma camisa laranja bem passada com uma gravata verde contrastando. Seus sapatos roxos sustentavam seu caminhar despojado ao se posicionar ao lado dos quatro.

“Após uma série de validações, provas e entrevistas, esses 4 foram os escolhidos para terem a chance de provar seu ponto, eles terão 3 dias começando a partir de agora para desenvolver e apresentar um protótipo real dos seus projetos! O Vencedor ganhará uma vaga de estágio para colaborar no desenvolvimento de equipamentos energéticos em nossa cidade!” Wattson anunciou e todos aplaudiram os participantes.

Enquanto a plateia se dispersava, os quatro competidores também estavam se preparando para deixar o local. Tomado por um impulso repentino, Wally começou a andar em direção ao garoto de tranças decoradas se colocando diante dele antes que pudesse seguir para a esquerda.

“Naveen!...Q-Quanto tempo, eu nem acredito que nos encontramos!” Wally comentou gaguejando, com as emoções da escola se misturando aos sentimentos em seu peito, piscou os olhos e era quase como se transportasse para a sala de aula de novo.

“Espera...ah Wally!” Reconheceu o garoto após alguns instantes o fitando com mais atenção, seu olhar passeava do menino a sua frente para a rua.

“Nossa, faz tanto tempo que não nos falamos....eu...eu senti tanto a sua falta e...” Começou o garoto olhando para as próprias mãos e tentando organizar as palavras, mas logo fora interrompido.

“Desculpa Wally, não tenho tempo, preciso começar a procurar as peças pro meu dispositivo, fica bem okay?” Despediu-se passando por ele e seguindo para o norte da cidade.

O tempo parou, Wally sentiu como se toda a área ao redor tivesse escurecido. A escola que enxergava e o invadiu como uma boa lembrança, agora era como se estivesse preso nela e nunca tivesse saído daquela época. Tentou olhar para trás, mas cerrou os punhos ao não conseguir realizar a ação.

“Wally?! O que você está fazendo ai? Eu estava te procurando, a Marina venceu a luta e nosso pedido acabou de chegar, vamos comer!” Hop chamou por ele colocando uma mão sob seu ombro.

“Vamos lá” Respondeu.



O estádio de Contest da cidade de Mauville ficava no completo oposto do ginásio, ficando a sudeste da região dentro da zona de mídias e recursos culturais do local. A zona se destacava pelo estádio, teatros, cinemas, praça e outros atrativos culturais que dividiam espaço com os produtores de mídia da cidade.

A construção destacava-se pela sua tecnologia com colunas indo do solo até uma cúpula dourada no centro. Pilastras de concreto erguiam a entrada de portas duplas que se abriam para a passagem revelando o interior do local que estava pouco movimentado.

Havia alguns coordenadores que conferiam o hall da fama onde haviam fotos de coordenadores e edições marcantes do contest, bem como curiosidades de batalhas de nomes famosos como Wallace, Lisia, Drew, Olivia e Chaz.

Outros apenas conferiam a praça de alimentação e nos guichês principais aconteciam as inscrições para a competição que aconteceria no dia seguinte.

“Amanhã a essa hora estaremos competindo no contest! Mal posso esperar, vamos chegar à final e nos enfrentarmos!” Hop comentou empolgado na fila enquanto colocava os braços por trás da cabeça.

“Nem acredito que estou realmente aqui...e como coordenador, eu não tinha pensado mesmo como seria experimentar isso e acho que estou nervoso!” Wally comentou pondo a mão sob a barriga e encarando o amigo que sorriu em resposta.

“É a sua primeira vez, é normal estar nervoso, em Verdanturf eu também fiquei muito preocupado, mas não se preocupe, você vai ir bem...e é a minha vez, já volto!” Ele disse andando de costas e virando-se para falar com a atendente.

Baixando a cabeça, ele focou o olhar em seus pés no chão, o garoto sentiu-se pequeno por estar ali, quantos coordenadores já teriam disputado inúmeros contest e certamente sabiam que ele era iniciante? Quantos não treinaram muito mais do que ele para a estreia? Será que as suas combinações não eram chamativas demais?

“Próximo” A moça chamou tirando-o dos seus pensamentos, o garoto então endireitou a postura tentando passar confiança e foi em direção ao balcão.

“Você tem um passe de Contest ou é a sua primeira vez?” Perguntou a mulher.

“É-é a minha primeira vez...” Respondeu com a voz alta e baixando o tom a medida em que falava, a funcionária o olhou com um sorriso e lhe devolveu um olhar mais calmo.

“Tudo bem, tem pokedex ou pokegear para fazermos seu cadastro?” Pediu a funcionaria esticando a mão apoiada sob o balcão.

Tirando o aparelho do bolso, ele o colocou sob a palma da mão dela que retornou para trás do computador. Havia uma tela na frente do garoto que transmitia a tela da atendente em tempo real e o menino de Verdanturf conseguia ver conforme ela preenchia todos os seus dados.

“Muito bem Wally, você agora é quase um coordenador, escolha o seu nome para ser chamado durante as competições, pode ser qualquer um” Tirando os olhos da tela, ela o encarou e ele sentiu por um instante que ela entendia o peso daquelas palavras.

“Eu sou quase um coordenador...” As palavras ecoaram em sua mente, era como senão houvesse mais volta.

“Pode ser só Wally mesmo” Respondeu ele.

“Ótimo, meus parabéns! Seu cadastro e inscrições estão concluídos, aqui está um estojo de fitas fornecidos pelo comitê de Contest e algumas capsulas e selos de pokebola, você pode se sentir à vontade pra comprar nas lojas parceiras e cuidado pra não comprar de terceiros! Eu soube de uma Cleffa que ficou cega depois de uma pena holográfica de um selo temático da Skyla pegar no olho dela” A mulher recomendou e o menino de cabelos verdes a fitou assustado.

Saindo da fila em direção a saída, o garoto olhava para o estojo de fitas que segurava, podia sentir a textura dos detalhes entalhados no case, mas ainda não parecia real. Só de estar ali de alguma forma já parecia ser um sonho, há três semanas atrás sentia-se preso e parado no tempo, agora era como se tivesse voltado a caminhar.



“Vamos para o centro pokemon agora?” O Galariano perguntou ao amigo assim que o viu, porém percebeu que seu olhar estava além dele.

Ao virar-se para trás viu um garoto de tranças com adereços laranjas em seu cabelo, seus olhos roxos eram baixos, mas encaravam Wally por alguns instantes o suficiente antes de desviar o olhar e começar a seguir em frente.

Hop apenas viu pelo canto do olho o punho do amigo se fechar, com pisadas firmes e decididas, ele percorreu o corredor apressando o passo em direção ao garoto.

“Então é assim? Você vai simplesmente me ignorar e fingir que não me conhece?!” Elevou a voz enquanto perguntava.

“Estou ocupado, Wally” Naveen continuou seu caminho.

“Qual o seu problema?! O que custa dizer um oi, perguntar como vão as coisas?” Wally devolveu com um novo questionamento elevando a mão que segurava o estojo de insígnias.

“Eu que quero saber o seu problema, você quem está gritando comigo no meio da rua, o que você esperava? Que eu fizesse uma festa por falar com você de novo, nós dois sabemos que você prefere bem mais a May e o Brendan, passar bem” O garoto parou de andar, pôs as mãos nos bolsos enquanto falava e seguiu seu caminho sem olhar para trás.

“Wally...Wally quem era ele?” O menino de cabelos roxos e jaqueta azul pôs a mão sob o ombro do de cabelos verdes.

“Não era ninguém...” Respondeu com algumas lágrimas nos olhos.

 

Sob a fachada vermelha do centro pokemon com um símbolo de pokebola, Isabel aguardava na recepção olhando de um lado para o outro, o entardecer já havia chegado, ela já esperava ali a mais de uma hora, mas nenhum sinal do filho.

Afagava a mão esquerda com a direita por cima da pulseira de contas que utilizava para passar o tempo, quando finalmente avistou Wally e Hop vindo em direção ao hospital, no entanto, de longe podia reparar na expressão fechada do seu filho.

“Wally! Que bom que chegou eu já estava esperando fazia quase uma hora! O que acha de irmos almoçar em algum lugar?” Perguntou ela com um sorriso após passar pelas portas de entrada do estabelecimento.

“O que você está fazendo aqui?! Decidiu vir aqui só me confundir?!” Disparou  o menino em resposta a fazendo arregalar os olhos enquanto algumas pessoas passavam lançando olhares confusos e curiosos.

Sem acreditar na resposta, ela virou-se para Hop que apenas balançou a cabeça e levantou os ombros indicando que tentou fazer algo sob aquela situação, mas claramente não havia funcionado.

“Em primeiro lugar você me respeite não é só porque passou uma semana fora de casa que vou aceitar que me trate dessa forma ainda mais na frente dos outros! E em segundo lugar o que significa isso?!” Com a voz mais intensa a mãe o repreendeu e ele baixou os olhos para os próprios sapatos.

Os encontros com Naveen voltaram a sua memória, ao mesmo tempo a situação com Audino o causou um misto de preocupação e todos esses sentimentos faziam sua empolgação pelo contest amanhã ser soterrada por coisas que o menino de Verdanturf não gostaria de sentir.

Ele olhou de canto de olho para a mãe, respirando fundo, e então disse:

“Não estou entendendo você, precisei quase de um julgamento pra você me deixar sair de casa para o contest e de repente você que nem perguntava sobre os contests, nem falava nada sobre mim além do câncer, decidiu ser extremamente carinhosa, porquê?”

As palavras do filho a tocaram de uma forma que a florista não estava esperando, Isabel esperava que tivesse vontade de gritar com ele e fazer com que mostrasse respeito, as coisas não eram tão simples para ela, mas ao mesmo tempo sentia que o filho tinha um fundo de razão.

“Porque vocês não batalham?” Hop sugeriu batendo palmas e fazendo com que ambos lembrassem que ele ainda estava ali.

“Batalhar?” Isabel perguntou confusa.

“O que?” Wally o perguntou no mesmo instante.

“Lá em casa quando o Leon e eu brigávamos instituímos que resolveríamos em batalha, como eu não tinha pokemon lutávamos em vídeo-games ou jogos de tabuleiros e sempre nos resolvíamos, mas já que vocês tem pokemons podem lutar lá atrás” O galariano contou enquanto gesticulava com as mãos como se tentasse montar cada memória em seu devido lugar.

“Ora, com todo o respeito, não seja ridículo, não tem como as pessoas se resolverem desse jeito...” A florista comentou incomodada com o pensamento de levar aquilo adiante, porém ao olhar para o filho percebeu o garoto absorvendo as palavras de outra forma.

“Talvez faça sentido...descobri muito sobre mim e ponyta em batalha, já que uma conversa tradicional não está funcionando, vamos tentar outra forma!” O garoto encarou a mãe esperando pela resposta dela.

“Acabar isso com um grito seria bem mais fácil, mas tudo bem” Isabel aceitou o desafio.

 


“E estamos aqui, essa será uma batalha 2 contra 2 entre Isabel e Wally, aquele que derrotar primeiro os dois pokemons do oponente será o vencedor!” Hop declarou sendo o juiz da batalha no campo de batalha que ficava em uma área atrás do prédio principal com arquibancadas e um pequeno jardim ao fundo.

“Sinceramente, não sei porque não podemos apenas conversar e nos resolver” Isabel reclamou desconfortável com a situação, levou uma das mãos segurando o antebraço, fazia muito tempo desde a última vez em que entrara em uma batalha.

“Porque assim estamos finalmente de igual para igual, não existe conversa quando na maior parte do tempo sou eu implorando que me escute antes de dar uma opinião sobre algo!” Cada palavra saiu carregada de certo rancor do menino, surpreendendo seu amigo que o lançou um olhar surpreso, mas ao mesmo tempo sempre soube que Wally guardava muitos sentimentos para si ao qual nunca conseguira falar completamente.

“Não sei porque estou permitindo que isso aconteça, Shroomish aqui vamos nós!” A mulher retirou a pokebola do bolso de sua calça jeans e com um gesto simples enviou o pokemon para o campo.

“Oddish, prepare-se para dançar!” Wally segurou a pokebola com firmeza e a atirou com um gesto brusco.

Lembranças ansiavam por vir, mas ele não queria voltar para isso novamente. Apertando as pálpebras com as maçãs do rosto saltadas enquanto as palavras de Naveen reverberavam em sua mente, abrir os olhos e enxergar sua mãe ali agindo como se tudo fosse muito fácil era complicado.

Todas as vezes em que ela dissera não quando tentou retomar sua vida o fazia duvidar de si mesmo e enxergar as pequenas conquistas que tivera como vislumbres de um caminho que fora fechado e que ele nunca mais chegaria perto do que um dia foi.

A mulher do outro lado observava Wally, mordendo o lábio inferior, ela não sabia se sentia irritação, vergonha ou tristeza. Lembrou de seu irmão, Norman, ele sempre gostou de lutar e tentou muito um lugar na Elite dos 4, mas nunca conseguiu, e nas poucas vezes em que lutaram um contra o outro ele sempre lhe dissera: mantenha os olhos no seu oponente.

“Parece muito difícil manter essa regra agora...será que estou tomando a decisão correta?” Constatou para si mesma, mas manteve o olhar sob o filho.

Os dois pokemons surgiram um após o outro, Oddish encarou seu oponente: um cogumelo com patas e soube que precisava ser melhor do que ele, o olhar de Wally indicava sua determinação naquela batalha e ela estaria ali junto a ele.

“Shroo-Shroo?” Perguntou o pokemon a sua treinadora sem entender o que estava fazendo ali.

“Me desculpe Shroomish, temos que lutar dessa vez, mas prometo que será breve” Ela buscou tranquiliza-lo.

“Oddish vamos avante! Atire Acid contra ele!” Wally gritou erguendo a mão.

“Droga...o que tenho que fazer...Tente desviar e use Stun Spore!” Isabel comandou mantendo uma mão junto ao peito.

Oddish ergueu uma perna enquanto inflava a boca, iniciando um giro ele disparou bolas de ácido que choveram em direção a Shroomish buscando acerta-lo. Com sua ruga de expressão arqueando em surpresa pelo movimento, ele buscou se posicionar movendo suas perninhas para correr por entre os tiros caiam do alto em sua direção.

Balançando o corpo enquanto corria, o cogumelo soltava esporos por baixo do corpo que preenchia o ar e eram direcionados a Oddish tentado paralisá-la, mas o pokemon não era afetado pelo movimento. A pokemon broto apenas balançou as folhas em sua cabeça de um lado para o outro desfazendo o ataque e posando para o oponente buscando provocá-lo.

“Não acredito que não sabe que isso não funciona contra pokemons grass” Wally comentou incrédulo.

“Norman sempre foi a parte de batalhas da família não eu, e além disso, não deveríamos conversar ao invés de julgar minhas habilidades? Qual o sentido disso tudo afinal?!” Isabel perguntou incomodada com a situação.

“Quero que se sinta como eu! Sei que não gosta de batalhas, mas pelo menos pode entender como me sinto, me esforcei demais sendo um bom filho e o que eu ganho com isso?! Oddish agora gire e use Acid pelo campo!” O garoto apontou para o solo montando sua estratégia.

“O que você quer dizer com isso?! Shroomish mantenha isso por mim! Corra pelo campo e acerte-o com Headbut!?” A florista aumentou o tom de sua voz a medida em que sentiu-se ameaçada pelas palavras do filho.

Oddish saltou com um giro após flexionar as pernas, no ar, ele rodopiava disparando bolas de ácido roxas em tons cintilantes estas explodiam sobre o campo manchando-o de roxo por diversas partes do terreno. Mas assim que caía em direção ao chão viu Shroomish correndo em sua direção.

“Oddish, desvie!” Comandou o garoto, mas era tarde, o cogumelo se jogou em sua direção acertando uma cabeçada na planta a atirando contra o solo com alguns danos.

“Seed Bomb!” Isabel iniciou abrindo a mão para frente a ofensiva surpreendendo Wally.

“Mega Drain e desfaça as sementes!” O aspirante a coordenador comandou abrindo as mãos.

Shroomish ao voltar ao campo, girou sacudindo o corpo, na abertura no topo de sua cabeça um brilho esverdeado reluziu conforte ele disparava sementes brilhantes e enfeitiçadas, estas percorriam o campo deixando um rastro brilhante como misseis na direção da oponente.

“Eu me esforcei no tratamento, eu estava melhor! O médico mesmo me disse que meu quadro ficaria estável conforme eu me cuidasse e eu...fiz de tudo para melhorar e mesmo pedindo...não pude voltar a escola! Não pude continuar e agora olha pra mim, todos seguiram e só agora eu consegui continuar!” Wally gritou batendo com o pé sob o chão.

A pokemon em resposta, concentrou seu poder em suas folhas, estas brilharam em um tom verde cintilante e Oddish sorriu remexendo o corpo enquanto disparava filamentos esverdeados buscando drenar a energia dos ataques que rumavam contra si.

Os filamentos atingiam as sementes em meio ao ar, sugando suas energias e anulando os ataques antes que a atingissem, o que resultou em explosões de poder natural com fagulhas verdes estourando por todo o campo e rodeando ambos os pokemons que aguardavam o próximo comando dos seus treinadores.

“Wally...eu não imaginei que guardasse tanta mágoa desse período...m-me desculpe!” Isabel olhou nos olhos do filho que manteve o olhar, algumas lágrimas se formavam no canto, mas ele não pretendia derramá-las.

“E agora que eu consegui, você vem e age como se tudo fosse fácil, como se você tivesse me ajudado desde o princípio e nada tivesse acontecido...é ridículo! Oddish, patine sobre o campo e use Acid!” Gritou erguendo a mão.

“Shroomish, cuidado, ela está vindo! Wally você precisa me escutar!” Pediu a mãe, mas o garoto não lhe deu ouvidos.

Oddish investiu, passou a percorrer sob o campo enquanto patinava com o ácido sob seus pés a dando velocidade, ela deu voltas sob o oponente o cercando. Shroomish tentava ler seus movimentos para prever o momento em que atacaria, no entanto, ficava tonto com as voltas dela ao redor de si.

Aproveitando a oportunidade, Oddish sorriu convencida da sua performance e inflou a boca disparando uma saraivada de bolas de ácido acertando Shroomish em cheio e o atirando contra o chão com grandes danos. O ácido corroía seu corpo, fazendo o cogumelo gritar sentindo suas defesas baixando.

“Shroomish! Acalme-se, você consegue levantar!” Isabel pediu ao parceiro, mas este não tinha experiência em batalhas.

“MIIISH!” Sentindo o ardor do ácido contra sua pele fazia com que o Pokémon não conseguisse se concentrar.

“Wally, você precisa me ouvir!” Pediu ela com lágrimas nos olhos.

“Eu não vou escutar nada, estou cansado de escutar todos o tempo todo! Finalize-o com Acid agora!” Wally gritou contendo todas as lágrimas.

A florista apenas observou em silêncio quando o pokemon broto pegou impulso no veneno sob o solo fazendo com que patinasse sobre o chão, com um salto, ela fez chover um comboio de bolas de arroxeadas brilhantes que explodiram sobre Shroomish. O pokemon de Isabel gritou de dor ao ser atingido não aguentando os danos e caindo inconsciente.

“S-Shroomish está fora de combate, Oddish vence, Isabel é hora de escolher seu próximo pokemon” Hop comentou para prosseguirem com a batalha.

“Obrigado, Shroomish, você me fez perceber algo que realmente estive ignorando” Isabel retornou o pokemon para a pokebola dando um beijo no objeto antes de guarda-lo, porém ao pegar a capsula de seu último pokemon olhou para Wally que enxergou na mulher um posicionamento diferente.

O modo como as íris dos olhos dela incidiam diretamente sobre si, como se pudessem vê-lo por inteiro o fez duvidar por um instante do que estava fazendo.

“Você está certo em algumas coisas e sua raiva não é totalmente injusta, mas para a sua decepção, Wally, você irá me escutar! Roselia, aqui vamos nós!” Em seu tom de voz, ela ergueu o braço por cima da linha do seu ombro e atirando a pokebola de sua parceria.

A pokebola soltou o feixe da dama das flores, Roselia descruzou os braços encarando Wally do outro lado do campo, Oddish observou a pokemon num misto de curiosidade e inveja, ela parecia tão contida e confiante de si e isso fazia com que a planta dançarina se sentisse ameaçada.

Ao voltar o olhar para Isabel conferiu a expressão séria em seu rosto e então, a pokemon floral entendeu do que se tratava.

“Mais uma vez vai impor a sua vontade contra mim?!” Wally perguntou.

“Me desculpe, eu errei com você, talvez não tenha sido...me desculpe, não foi a melhor decisão te privar de tudo que estava acostumado sem explicar nada, estou disposta a melhorar! Roselia use Petal Blizzard!” Isabel ergueu a mão num movimento delicado enquanto tentava vocalizar cada palavra, podendo sentir o gosto amargo das suas decisões ruins em sua garganta.

“Oddish Mega Drain e absorva a energia dos ataques!” Comandou o garoto enquanto tentava absorver as palavras.

Roselia concentrou o poder vegetal nos seus botões, as flores iluminaram-se em um tom esbranquiçado com degrades de azul, em seguida ela os uniu conjurando um pulso de vento e disparando de uma vez só a energia que acumulou.

O pulso soprou uma nevasca de pétalas que se impulsionaram com o movimento.

Oddish ergueu suas folhas atenta ao golpe que rumava contra si e admirando sua beleza, preparando o contra taque, ergueu uma perna pronta para sua dança e ao iniciar seus movimentos disparou filamentos esverdeados da folhagem em sua cabeça buscando absorver o ataque. Porém, eram muitas pétalas para absorver de uma só vez e o vento frio pressionando seu corpo dificultava sua concentração a medida em que a nevasca a cercava.

“O-Oddish!” Surpresa ao não conseguir se mover pela pressão do movimento, ela foi esmagada pela imensidão de pétalas que a forçou contra o chão com grandes danos, caída sob o campo ela ergueu os olhos para olhar a Roselia.

“Porém não irei aceitar que me trate dessa forma, em nenhum momento eu pretendia acabar com a sua vida ou lhe causar danos! Você não sabe como foi ver o meu filho quase falecer, não sabe o que tive de mudar na minha vida por você e o esforço que fazia todos os dias da floricultura ao hospital para que o seu tratamento continuasse!” Os olhos dela se mantiveram fixos sob o garoto ao transmitir suas palavras e para Wally o cenário todo ao redor sumia restando apenas os dois.

De igual pra igual, agora compartilhavam seus sentimentos.

“Foi a minha primeira vez passando por uma situação como essa também!” A florista desabafou permitindo com que suas vulnerabilidades saíssem e encontrou o olhar de seu filho que absorvia as palavras.

O garoto abriu a boca, mas não conseguiu pronunciar nenhuma palavra, ele tinha certeza da dor que sentira naquela época, da falta de ar constante que sentiu naquele momento de modo que nunca procurou observar a situação por outros olhos: os olhos da sua mãe que também estivera lá.

“Roselia Shadow Ball!” Isabel ergueu a mão.

Movendo os braços de forma graciosa, Roselia balançou seus botões de flores reunindo sombras do solo até molda-las em uma esfera sombria, a qual conduziu como uma ginasta de um lado ao outro com rodopios antes de dispara-la contra Oddish, a pokemon broto não conseguiria fugir do movimento.

Seu último pensamento fora que um dia gostaria de ser mais graciosa que ela, e então fora atirada contra o chão inconsciente.

“Obrigada Oddish pelo seu esforço, eu...” Wally retornou Oddish para a pokebola, porém fora interrompido por sua mãe.

“Sei que isso não resolve as coisas! Me desculpe por não ter percebido seus sentimentos antes! Durante esses dias percebi o quanto você cresceu, a confiança no seu olhar, você capturou um pokemon! Se esforçou pra entender a Ponyta e falava sobre os seus sonhos e nada parecido com essas coisas aconteceu nesses 3 anos em que ficou em casa e percebi...” Uma lágrima escorreu por seu olho enquanto abria as palavras em seu coração.

Wally sentiu um arrepio percorrendo suas costas ao escutar as palavras de sua mãe.

“Percebi que você estava crescendo! E percebi meu erro por te manter em casa com medo do que podia te acontecer e quis incentivá-lo como forma de ajudar...sei que não é justo mas é o que posso oferecer, não pense que tudo está acabado para você, pois eu consigo ver claramente que ainda existe um caminho novo para você” As palavras de Isabel ressoaram aos ouvidos de o Wally e foi como se ele tivesse acordado de um sonho ruim.

“Tive medo naquela época, mal conseguia respirar, tudo era tão complicado e eu pensava o tempo todo em como iria continuar. Mas mesmo após todo esse tempo continuo com medo! Estou com medo de que eu não consiga acompanhar os meus amigos, estou com medo de que tenha passado tempo demais e eu não sirva mais pra conseguir seguir os meus sonhos!” O garoto admitiu baixando a cabeça e o olhar para os próprios pés com as bochechas enrubescendo pela confissão.

“Wally, medo é uma parte natural das coisas, significa que você tem algo com muito significado para ser simplesmente perdido e que ao mesmo tempo vale o suficiente para arriscar aprender coisas novas, estarei com você dessa vez, estou com você aqui e quando você der o seu primeiro passo quero continuar segurando sua mão” Isabel sorriu enquanto suas palavras alcançavam o garoto que começava a derramar algumas lágrimas.

“Só me intrometendo um pouco, eu não estive lá quando isso aconteceu e nem conheci seus amigos, mas você não precisa se prender a forma como acha que as pessoas te enxergam, Wally, estamos juntos num contest amanhã e isso é incrível, será o seu momento e só o que importa é que aproveite ao máximo!” Hop sorriu para ele e a agonia que sentia em seu peito se estabilizava em seu peito.

“Agora vamos finalizar a nossa batalha, Roselia está esperando!” Isabel sorriu o desafiando.

“Acho bom que se prepare, Ponyta, eu preciso de você!” O garoto ergueu a pokebola e a atirou sob o campo libertando a unicórnio psíquica que relinchou ao encarar sua oponente.

“Vamos vencer essa batalha, Roselia avante com Petal Blizzard!” A florista comentou sorrindo sentindo seus sentimentos ressoarem por suas palavras enquanto comandava Roselia.


A pokemon verdejante sentiu a conexão, com seus botões reluzindo, eles desabrocharam a medida que ela erguia os braços acima da cabeça e os remexia de um lado ao outro reunindo um pulso de vento. Pétalas surgiram ao seu redor e ela as manipulou num sopro de poder vegetal que disparou contra a unicórnio.

“Agility Ponyta e desvie do movimento!” Wally pensou na emoção que queria transmitir, ele queria aproveitar aquela batalha com a mãe e as ondas ressoaram em direção a Ponyta.

“Poony!” Ela sentiu os sentimentos de Isabel se estabilizando após expor-se pela primeira vez, Hop estava tenso com a situação, mas começava a ficar feliz ao vê-los se reconectando e por fim os sentimentos do seu treinador iluminaram a zona emocional que enxergava.

Escolhendo eles, a pokemon iluminou sua crina conforme o poder psíquico percorreu seu corpo e disparou em uma corrida. Roselia movia os botões reposicionando a torrente de pétalas esbranquiçadas para perseguir a unicórnio que galopava por entre as extremidades do campo.

“Faça o Psychic Shield agora!” Wally gritou erguendo a mão.

Interrompendo a corrida de súbita, seus cascos rasparam poeira pelo campo enquanto ela erguia seu chifre iluminado-o ao seu redor. O poder psíquico fluiu ao seu redor girando enquanto construía uma barreira ao seu redor, firmando-se em quatro patas, Ponyta formou um círculo ao seu redor bem no momento em que as pétalas explodiram contra si.

O resultado foi um brilho arroxeado que se alastrou pelo campo.

“Avance com Tackle e ataque-a!” O aspirante a coordenador deu um passo a frente.

“Roselia cuidado!” Pediu sua mãe surpresa com o movimento.

Sem tempo para reagir, Ponyta disparou com sua corrida por entre os brilhos arroxeados que iluminavam sua crina, sem dar tempo para a oponente ela a acertou uma placagem que projetou Roselia para trás do campo deixando um rastro no solo.

“Revide com Poison Sting!” Isabel pediu.

“Vamos mostrar os resultados do que treinamentos, Fairy Wind!” Confrontou o garoto.

Sacudindo a cabeça, Roselia buscou Ponyta com o olhar enquanto ergueu sua flor vermelha, esta faiscou tornando-se roxa criando espinho em suas extremidades e os banhando com o veneno que escorria pelo vegetal.

Disparando uma saraivada de espinhos que percorreram a distância entre as duas, Ponyta encantou o ar ao seu redor com seu chifre criando uma corrente de vento mágico que a rodeou, os espinhos entraram em contato com o poder e a disputa de movimentos resultou em uma explosão levantando uma nuvem de fumaça.

“Nunca pensei que fosse realmente gostar de uma batalha, então era por isso que o Norman gostava tanto?! Vamos mostrar a ele Roselia atire Petal Blizzard contra o chão!” Ela pediu enquanto a fumaça passava.

“Ponyta cuidado!” Wally pediu surpreso com o movimento.

Reunindo um pulso de vento, Roselia girou em torno do próprio eixo enquanto invocava pétalas azuis as infundiu no movimento, erguendo os botões e em seguida os apontando para baixo de si, disparou o movimento se atirando ao ar pela pressão do movimento que disparou um pulso de vento e pétalas mais concentrado em área.

Ponyta tentou galopar para a extremidade do campo sendo pega pelo movimento e atirada contra o chão.

“Deu certo, mas não era bem o que eu tinha em mente” Sorriu Isabel ao perceber que sua estratégia não tinha funcionado tão bem quanto previa.

“Ross Roselia?!” Perguntou confusa a pokemon.

“Levante-se Ponyta vamos aproveitar que ela está no ar e ataque-a com Confusion!” Wally gritou apontando para o ar.

“Já que estamos no alto, vamos aproveitar a vista e use Shadow Ball para revidar!” Sua mãe entrando na brincadeira levou a mão a boca enquanto gargalhava de Roselia.

Sacudindo a cabeça, Ponyta colocou-se em quatro patas iluminando seu chifre em tons roxos formando uma esfera na ponta e disparando um feixe psíquico na direção da oponente. No ar, Roselia formou uma esfera de sombras escondidas por entre os botões das suas flores e com um giro enviou o movimento.

Com mais um choque de poderes, um pulso de vento surgiu fazendo o cabelo e as roupas de ambos esvoaçarem enquanto eles se encaravam.

“Agility agora e use Fairy Wind para cerca-la!” Sem descanso o garoto começou a próxima combinação.

Com seu corpo encantado pelo poder psíquico, a unicórnio disparou com a velocidade duas vezes maior, suas patas moviam-se deixando um rastro colorido ao redor enquanto seu chifre encantava o ar ao seu redor dando ainda mais velocidade a sua corrida e deixando seus passos soltarem uma poeira encantada.

“JÁ SEI! Ponyta concentre o Fairy Wind em você e use para impulsionar seu Tackle!” Wally pediu pensando em uma nova combinação.

“Não vamos ficar por trás Roselia, prepare seu Petal Blizzard e pare-a agora!” Isabel comandou sua parceira.

Roselia abriu os braços deixando escapar pétalas esbranquiçadas que se uniram a uma espiral de vento disparada dos brotos da pokemon que as impulsionava em uma rajada de vento e pétalas, enquanto, Ponyta com a velocidade aumentava disparava contra a pokemon, o fairy Wind criava um rastro brilhante atrás de si iluminando sua crina.

Seus passos deixavam marcas de cascos sob o chão que esvoaçavam em poeira pelo Fairy Wind a fazendo parecer uma etérea, flexionando as patas ela foi ao encontro do movimento.

As pétalas dispararam contra si e o vento gélido pressionava seu corpo, mas a unicórnio não pretendia desistir dessa luta

“Vamos lá, você consegue!” O garoto de Verdanturf pediu com um sorriso em seu rosto.

“Roselia, mostre todo o seu poder!” A florista incentivou sua parceira também se divertindo com o momento.

Ponyta forçou seus cascos, seu chifre iluminou-se conforme a potencia do vento mágico que a circundava aumentar e ela avançava. Roselia seguia colocando seu poder vegetal em busca de impedir sua oponente, mas não era o suficiente.

A unicórnio psíquica disparou em direção a oponente e a acertou com uma placagem enquanto o vento feérico envolveu a pokemon vegetal a elevando no ar com grandes danos.

“Finalize com Confusion!” Com o punho cerrado o garoto comandou.

Com o chifre iluminado em um tom purpura, Ponyta travou sua mira em Roselia no ar e firmando suas pernas no chão ela disparou um feixe arroxeado que serpenteou até acertar a oponente no ar e a atirar ao chão inconsciente.

“Conseguimos, Ponyta! Nós vencemos!” Wally correu em direção a unicórnio a abraçando.

“Obrigado Roselia, você lutou muito bem” Sua mãe consolou a parceira que sorriu em resposta.

“Ross Roselia!” Disse a pokemon empolgada.

“Eu também gostei muito de lutar, talvez possamos fazer mais vezes” Concordou a mulher e retornou a parceira para o descanso.

“Comemore o suficiente, deixei você vencer para se sentir confiante para amanhã” Brincou ela enquanto se aproximava do filho com um semblante orgulhoso.

“Me desculpe por tudo...e obrigado também por todo o esforço” Wally disse por fim antes de abraça-la.

“Sem querer interromper o momento lindo de vocês, mas assim aquele lance do jantar ainda está de pé? Aparentemente ser juiz de uma batalha sentimental pode dar bastante fome” Hop comentou enquanto o garoto e sua mãe sorriram.

 


No leito onde Audino descansava, os resultados do mapeamento de seu pulso continuava estável, mas havia uma preocupação: A pokemon não manifestava qualquer sinal de que iria acordar, o que deixava a equipe médica apreensiva.

Isabel havia ficado na ala dos quartos para os viajantes, enquanto Wally permanecia no leito, as paredes verdes oliva agora escurecidas pela noite deixavam o cenário etéreo, com apenas um abajur posicionado na estante como fonte de luz.

As cortinas balançavam vez ou outra por conta da brisa que se fazia presente, o menino de Verdanturf vencido pelo cansaço dormia em uma das poltronas com o pescoço pendendo para a esquerda e a boca aberta. Não percebeu quando faíscas começaram a estourar ao redor da cama de Audino.

O abajur passou a piscar, sua luz parecia querer sair de si e faiscava sincronizando com a essência elétrica que pulsava entre os estalos elétricos como se tudo aquilo, toda a energia presente naquele espaço se reconhecesse como igual. O peito da pokemon rosa subia e descia num ritmo compassado e aos poucos adentramos em sua consciência.

Sua noção de si não estava naquele lugar, o cômodo para ela não existia, os móveis se perdiam e a textura do chão ou do lençol que a envolviam não podia ser sentida. Ao invés disso tudo era um breu que ressoava em um vácuo onde não era possível sentir nem a presença de si mesma.

Isso em breve mudaria, primeiro o estalo de consciência, tinha uma mente e seus pensamentos voltaram a ser formulados num fluxo que percorria aquele espaço, fraco o suficiente para gerar luz, mas forte para reconhecer os padrões de seu próprio eu e então: a imagética.

Sua própria forma surgiu naquele breu, seus pés tocavam o chão daquele espaço, mas ainda assim não o sentiam. Seu olhar não conseguia distinguir alterações nas cores escuras daquele local e sua voz não saia e se saía não tinha capacidade para se propagar. 

Então ao virar-se de um lado para o outro ela conseguiu ver: uma faísca elétrica estalando no que parecia ser o centro daquele lugar, o barulho estridente ecoava por aquele local e lhe soava familiar.

Ao mesmo tempo o som a preenchia de fora para dentro, ressoava em si e estalando pelo fluxos de seus pensamentos como uma corrente elétrica, aos poucos a energia foi acordando a si mesma e passando a iluminar aquela dimensão.

Os tons escuros agora ganhavam contorno de um amarelo vibrante e intenso que se entrelaçava aquela zona, mudando sua textura, seu modo de fluir e o modo de se apresentar, tudo voltava a fluir dentro de si mesma, mas ainda não era o suficiente para o seu despertar.

Notas finais: Algo parece estar acontecendo com Audino, quando será que ela irá despertar?


Um comentário:

  1. eu amo atualizar minha playlist a cada capitulo dessa história! só nesse aqui já adicionei 5 músicas
    ai que capitulo ótimo
    quando o wally surta assim a primeira coisa que me vem é meu deus ele surtou do nada? mas não é bem do nada, o wally é um personagem que quando explode, e ele vai explodir, EXPLODE MESMO, e o Naveen realmente parece ter mexido muito com ele, imagino o que possa ter acontecido mas pela postura de ambos acredito que não tenha sido exatamente culpa só de um lado, ou pelo menos não só do Naveen. Fiquei chocado quando ele foi confrontar o Naveen na cara assim, acho que ele normalmente não faria isso, mas ele estava tão alterado aqui, e logo depois com a mãe ele não se segurou também. Mesmo com o Hop ele ainda estava sem paciência e sem conseguir curtir o momento no restaurante onde marina venceu a Scarlet antes de ser abandonada, e adoro MAY E BRENDAN CITADOS.
    a ambientação de Mauville está excelente e amei vasculhar alguns cantinhos da cidade e conhecer sua dinâmica e planejamento através de um pichu, gosto de como você retratou a cidade meio como ela é mesmo mas dando seus toques, mauville tentando ser o novo cartão postal de hoenn, as ruas pensadas pra levar a pontos de interesse, os programas culturais como alternativas para não disputar com o comércio que se destaca em Lilycove, isso é mesmo mto legal e todo o "showzinho" do wattson para anunciar o tal programa de acampamento, adorei como você colocou um edital pra isso, minha vida agora é ficar tentando pegar grana de edital pra viabilizar os meus projetos então achei bem divertido mesmo ver algo assim se refletindo aqui
    fiquei gag com o wally falando até que a mãe dele tava sendo ridícula podre nojenta calcinha dura e mandando a oddish usar ACID, muito babadeiro, ficou um ótimo embate e eu amooo momentos de batalha assim, acho que são os melhores e mais atmosféricos e marcantes, o que aqui alcançou tbm e deixou várias cenas em holofotes na minha memória, destaque pras performances da oddish e para ponyta e roselia também que soou bem performático, ficou muito bacana, adoro o confusion da ponyta.
    mas gosto muito mesmo de batalhas onde eles estão conversando também, o hop deu uma boa sugestão, gosto como em momentos onde a Isabel está vencendo, o wally a ouve, enquanto antes ela estava tentando ser ouvida
    muito boa a vitória para o wally e mais um exp né pra essa ponyta virar fada, e gostei dos momentos do wally com o hop, e também da reconciliação com a mãe, com uma nova percepção de ambos sobre o jeito dos dois diante da situação a qual passaram juntos, mas se contendo, o wally sente que o mundo é injusto com ele, não dá para tirar sua razão dada as circunstância dele ter um quadro de câncer, mas acho que as últimas experiências dele principalmente com ponyta o ajudaram a se tirar desse local também de apenas vítima, e passar a ter um olhar mais atento ao todo. tadinho (anagrama para Diantha) dele com isso da escola, muito revoltante mesmo, quebra tudo wally!!!!
    por fim os segmentos com audino internada e eu rindo da mulher na cama, arceus seja louvado que os sentimentos vem de cima, mas fico curioso com essa dimensão e o que está acontecendo com audino, será que ela está num plano mais astral e vai descobrir um pouco mais sobre seu poder e o fluxo? talvez ela esteja em coma por causa disso como se fosse uma missão que ela precisar enxergar além dos próprios olhos
    me pergunto se tyla haru estará no contest, e aquela menina do começo da história também que o urbain lutou, quero ela de volta
    continue eu amei <3

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Capitulo 13: Coisas Naturais!

Notas Iniciais: Hiiiiiiiiiiiiiii após muito tempo finalmente consegui terminar esse capítulo! Estou muito orgulhoso dele, ele tem sido a sín...